Estamos falando de um público que não se restringe a adolescentes e jovens, temos hoje uma população adulta e até na terceira idade que deseja a todo custo fazer o que se deseja, escuto ‘as coisas sempre são do meu jeito’.
O querido Jorge Forbes escreveu um livro em 2004 Voce quer o que deseja? Esse livro aponta para alguns fatos comuns: como uma pessoa pode lutar por algo e se desinteressar assim que o obtém; revela também que nada que alguém possa querer é suficiente para satisfazer o desejo. Desejar lembra Lacan, é sempre desejar outra coisas, a ponto de podermos agradecer a quem não nos dá o que foi pedido, e alerta para o drama da passagem da época, da era industrial- pai-orientada- a era atual, da globalização, na qual nenhum padrão universal sobrevive e na qual, mais do que antes, fica evidente a distancia entre o eu e o mundo, o medo de decidir…enfim boa leitura para quem acha que pode ter tudo o que quer.
Esse discurso de ampla possibilidade do desejo é implementado de modo transcendental, porque nossa sociedade é influenciada por deuses gregos, aqueles arrogantes que lutavam entre si por poder, volúpias, ganancias, prestígios e taras.
O campo do gozo é estudado na clínica da psicose. O Nome do Pai é um divisor de águas para a definição da estrutura psíquica.
A vida cotidiana e a clínica com sujeitos psicóticos mostram que eles entram numa relação em que está em jogo o governo, o comando, a dominação, a submissão, a educação, a burocracia, o fazer desejar, a sedução, a provocação de saber, o psicanalisar.
Em O mal-estar na civilização, Freud aponta o relacionamento com os outros como a causa de maior sofrimento do homem. O mal estar na civilização é o mal estar dos laços sociais. A demanda hoje na clínica está nos problemas de relacionamento, algo que a medicação não ajuda.
O discurso do gozo, hoje ultrapassa a clínica da psicose, é imperativo o gozo, afinal, é aquilo que pede para ir sempre além dos limites do prazer- nisso consiste seu vínculo com a pulsão de morte. O gozo ameaça a vida do corpo e a vida psíquica.
O pais para ganharem a cumplicidade e admiração dos filhos com ampla tolerância e permissividade se omite em estabelecer limites. Não apontam e nem delineiam horizontes para jovens e esses se tornam adultos que tudo podem, tudo querem e perdem código de referências. O social não está dando referencias saudáveis, já que se perdeu, é líquido.
A rede de proteção imaginária constituída pelo que o Outro sabe se desfaz, e a própria experiencia perde significação. E como nenhum lugar de produção de discurso é aceito ou ancorado o fazer é o consumismo, as tentativas e as investidas sem regras: drogas, festas, violência, shows, trajes e ultrajes . A desvalorização da experiencia o existencialismo e hedonismo como regra social, esvazia o sentido da vida.
A clínica hoje tem o que não tem contorno e o que perderam esse contorno pelo discurso social: Faça o que você tiver vontade.
A civilização exige do sujeito uma renúncia pulsional. Todo laço social é portanto um enquadramento da pulsão, resultando em uma perda real de gozo.


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