O adoecer nos envolve como um todo, contudo muitos especialistas só nos olham por partes e não de forma mais abrangente, ou holística. O mundo ficou dividido desde seus primórdios, com dois tipos de mentalidades “efficiens” = observação direta, observa o efeito de um ato ou situação e o modo “finallis” = a casualidade poder vista também pela perspectiva da finalidade e da intencionalidade e não somente pelo valor do impulso de agir, prima pela percepção da motivação do movimento, considera a intenção como mobilizadora.
O ideal reduzir essas polaridades e estreitar o pensamento binário, pois as pessoas ou aceitam um modo e exclui o outro que é diferente, prática comum hoje. Precisamos de ajuda de todos os lados. Agregar, somar e combinar abordagens é bom, humilde e nobre principalmente em situação de desespero e crise.
Nas últimas décadas tivemos um excesso de pensamento objetivo, que reprimiu, desvalorizou e ridicularizou arrogantemente toda espécie de consideração que lembrassem qualquer coisa do jeito de pensar de antigamente. As técnicas naturais e ancestrais são menosprezadas, mas farmácia tem uma a cada esquina.
Houve um desprezo e um desvalorização pela sabedoria acumulada por séculos e séculos. Amnésia coletiva regida pela ciência? O mercantilismo de classe elitizadas com furor separatista bárbaro dissociou o conhecimento subjetivo e o conhecimento objetivo. Um passou a ser oficial, verdadeiro, completo e auto-suficeinte; e o outro a ser visto como falso, suspeito, regredido, charlatão e inútil.
Perdeu-se então a sabedoria preciosa que, não mais valorizada como antes, refugiou-se nos labirintos da sombra coletiva. Passou a existir o conhecimento oficial e o conhecimento popular.
Na área da saúde, essa dissociação deu base para a grande suspeita mútua entre o profissional ultra-atualizado e o paciente com seu arsenal de chazinhos e plantinhas milagrosas, entre a modernidade extrema dos aparatos propedêuticos e farmacológicos e a pajelança popular.
Uma abordagem somente analítica não consegue sobrepujor a duas imagens- pelo contrário, elege uma e joga fora a outra. E por isso escrevo para integrar após a humilhação global desta pandemia que está na hora de Integração de tudo que possa blindar nossa saúde, bem estar e novo modo de vida mais pleno e não polarizado.
Por sua vez, a formação médica ocidental e as ações de seus praticantes estão mais para um cientista que estuda a doença do que para um terapeuta focado no sujeito doente. Com isso, priorizam-se os estudos laboratoriais de natureza analítica e desenvolve-se um modelo de cuidado prescritivo (Luz, 2014)
É muito difícil ver além do óbvio, mas com quem estamos, o que pensamos, sentimos, comemos, bebemos, a qualidade de nossos pensamentos, conceitos e perspectivas afetam nossa saúde. Reveja seu repertório ao tratar qualquer padecimento quer emocional quer físico. Muita coisa depende de você, de sua pulsão e direção.
LUZ, Madel Terezinha. As instituições médicas no Brasil Porto Alegre: Rede Unida. 2014.


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