Personalidade Fóbica

Quem não conhece pessoas que possuem muitos medos? Geralmente irracionais: gato, cachorro, galinha, rato, barata, aranha, andar de bicicleta, pegar metro, lugares abertos(agorofobia), lugares fechados: elevadores, shows, salas pequenas(claustrofobia), casamento, se fixar em um emprego ou empresa…

Em 1926, Freud afirmou que as fobias são sintomas substitutivos da satisfação instintiva recalcada, correspondendo ao grupo das psiconeuroses. Isso quer dizer que FOBIAS são como sintomas, substituem a satisfação instintiva que não foi totalmente alcançada e qual a consequência? O recalcamento e essas angústias são deslocadas e servem como mecanismo de defesa do ego contra impulsos amorosos e destrutivos e inadmissíveis à consciência. Resumindo é sinal de angústias inconscientes e recalcadas.

Quanto mais a pessoa se conhece e se aproxima de seu EU Interior ocorrerá o desaparecimento dos sintomas, ou medos irracionais, caso contrário ela apenas terá técnicas de enfrentamento de um medo específico, mas poderá levar a outros sintomas ou deslocamentos a novas fobias, caso não chegue na raiz do problema.

Com a difusão dos escritos de Melanie Klein, houve um reexame geral das teorias acerca das fobias. Estas não mais se restrigiam às neuroses, porque além de abranger situações em que estavam presentes conflitos edipianos e conflitos próprios às neuroses obsessivas, passaram a ser associadas a quadros Bordeline e a núcleos psicóticos da personalidade, comum também a algumas fases do Transtorno Bipolar.(Feber, 1959).

Os autores klenianos sustentam  que as fobias são defesas  contra estados psicóticos, atuando para impedir a eclosão de angústias geradas pela incapacidade do Ego de lidar com impulsos destrutivos e de reparar os objetos destruídos (Uchoa, 1968).

Para Meltzer(1975) a agorofobia e a claustrofobia dizem a respeito a identificações projetivas que operam numa área que não é nem o mundo externo, nem no mundo interno, mas um terceiro mundo, o mundo “dentro dos objetos”. O protótipo desse terceiro mundo é o corpo materno, um interior de vivencia terríveis, uma região opaca e angustiante.

Wangh (1959) da psicologia do Ego fez um trabalho clássico sobre Topografia(Medo mórbido de um lugar ou localização específico) e afirma que distúrbios fóbicos são relacionados a insuficientes controles egóicos. Ele mostra um caso de Topografia que o controle dos impulsos é prejudicado por conflitos primários ambivalentes, desempenhando um papel decisivo a relação precoce mãe-criança. A tênue relação objetal primária facilita o deslocamento libidinal para outras figuras(a babá por exemplo), porém se a mãe se interpões nessa nova relação, o deslocamento não se dá inteiramente, enfraquecendo as funções de controle egóico. Nas fases de estruturação e formação do aparelho psíquico existe uma preponderância de impulsos hostis da criança dirigida contra a representação da mãe, mães ausentes, ocupadas, depressivas… não contemplam a total relação mãe/bebe, gerando ansiedade.

O sistema fóbico é a reação ansiosa transformada e adaptada a situações específicas por meio de deslocamentos, e os traumas primários e originais a respeito de terríveis estados de desamparo.   

O paciente fóbico reduz uma ansiedade global e difusa a medos específicos e determinados. Para lidar com estes, usa evitações. A angústia distintiva da personalidade fóbica é a angústia de dissipação do Self, trata-se de uma angústia básica de inexistência, desintegração e morte; é terror em face a uma ameaça onipresente da morte, uma morte iminente que corresponde a rupturas como o ser e com a vida, os quais passariam ao vácuo da inexistência.

A pessoa entra em zona de silencio mortífero e pestilenta, um silencio sem eco, praticamente rompido com o mundo das realidade cognoscíveis. Para o fóbico, isso é a consciência do engolfamento do ser no vácuo, como se fosse extinguir-se num possante “buraco negro”. Ele observa-se o ser esvair-se diante dos próprios olhos. É insuportável assistir a própria dissolução e perda de noções fundamentais de si, com contorno fragilizado são vulneráveis a pessoas dominantes e “fortes”. O que acontece é o medo e de desaparecimento si próprio e impotência diante das ameaças imaginárias.

Na personalidade fóbica, está comprometida a relação “eu estou comigo”. O fóbico tende a suprimir o predicado nominal da relação, de modo a restar-lhe somente a simples consciência vazia no espaço, o sujeito pendente no abismo. Tende a esvaziar a possibilidade de conhecer quem ele é na relação consigo e, igualmente, de dizer a si mesmo quem ele é no interior de sua consciência plena de existir. Falta-lhe uma parte da relação, fica aterrorizado pela constatação da parte que lhe falta, na compreensão do vazio interior.

A fobia é a mais atual das perturbações mentais, aquela que tem mais elementos em comum com o espírito dominante de nossa sociedade e época. A fobia por insuficiência de continente primário é a característica em seu gênero devido a fragilidade da identidade pessoal. Estamos falando de pessoas que são guiadas pela moda, mídia, manobra de massas, grupo inserido, ou seja, a maioria alienada da individualidade e medo de desagradar, viola sua integridade e individualidade, escolher seu caminho e de crescimento e evolução emocional e espiritual.

Referencias:

Feber, L. Phobias and their vicissitudes.J.Amer.Psyho-Anal Assoc., v.7, n1, pg 182-192, 1959.

Meltzer, D, Adhesive identification. Contemp. Psychoan., v11, n3, p 289-310, 1975.

Uchoa, D.M,. Regressão e fobia. Revista Brasileira de Psicanálise, v2, n3, p.306-314, 1968.

Wang, M.G. Structural determinantes of phobia. J.Amer.Psycho-Anal. Assoc., v.7, p.675-695, 1959.

Foto por Andrea Piacquadio em Pexels.com

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Oi! Sou Sônia Augusta, psicóloga pela UniFMU, Pós-Graduada em Arteterapia, Gerontologia e Saúde do Idoso e Acupuntura. Me aperfeiçoei em temas como AT-Atendimento Terapêutico, Saúde Mental em Hospital Geral (Unifesp), Coaching de Emagrecimento, Psicossomática, Biofísica aplicada à Saúde. Sou pesquisadora nas áreas de Medicina Integrativa, Psicanálise, Longevidade, Nutrologia e Medicina Tradicional Chinesa.

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