Transtorno de Acumulação- objetos

Trago temas que são solicitados por pacientes na clínica, por isso a exposição dos artigos neste blog são para ajudar a demanda de pessoas em sofrimento e em questionamento sobre a origem de psicopatologias.

Começando pelo fato que em nossa sociedade atual aceitamos muitas coisas que são estranhas, mas que trazem por de traz de sedução, esnobismo e até heroísmo os abismos de uma psique perturbada e compensações de uma alma aflita, solitária e presa aos grilhões do passado remoto e primário: psico-desenvolvimento e a família.

Todos já conheceram pessoas que gostam de guardar as coisas, parafusos, pregos, ferramentas, carros, papeis, envelopes, canecos, vasos…enfim uma infinidade de objetos e tralhas.

Lembro-me que um dos primeiros casos que peguei na clínica a muito tempo atrás era de uma senhora que o esposo, bonzinho e submisso, construía cômodos na casa para ela guardar os objetos que ela não abria mão de reciclar: sapatos, roupas dos filhos desde recém nascidos, vestido de casamento…primeira máquina de escrever, fotográfica…além de museu o número de papeis, papelões, cadernos de todos os anos de formação escolar dos filhos e dela, livros, revistas…e como não havia mais espaço no cômodo ela enfiava na laje, o que levou a rachaduras no teto da casa devido ao peso do acúmulo de objetos.

O transtorno de acumulação (TA) pode ser definido como uma dificuldade persistente de desfazer-se de itens, em função do sofrimento relacionado com o descarte ou uma necessidade percebida de guardar posses a despeito de seu valor real. Tal comportamento pode resultar no acúmulo de objetos e animais, o que compromete significativamente o uso da moradia, causando sofrimento e um prejuízo funcional, além de incomodo para quem mora com essa pessoa. Este transtorno pode trazer riscos tanto à saúde quanto à segurança dos indivíduos. (Schimidt, 2014).

Em termos de especificadores, 80 a 90% dos indivíduos diagnosticados com TA apresentam aquisição excessiva e as formas mais frequentes de acumulação são as compras excessivas, itens gratuitos ou descartados e até o roubo é a forma menos comum.

Associado a estes critérios observa-se alguns traços nessas personalidades: a presença da indecisão, do perfeccionismo, da esquiva, da procrastinação, apego ao passado, muito investimento na família,  dificuldades de planejamento e de organizar tarefas além de distratibilidade, são sem foco e pouco desenvolvimento em alguns aspectos da vida e em projetos presentes e futuros. Dificuldade de mudanças internas e pouco insights acompanham o perfil.

O TA aparece em todos os estágios da vida, mas emerge entre os 11 e 15 anos e começa a interferir no funcionamento da vida a partir dos 25 anos. A gravidade do transtorno se acentua com o passar da idade, tornando-o crônico. A acumulação patológica em crianças e adolescentes é mais facilmente detectável, pois vivem em ambientes controlados.

Os fatores de risco e prognóstico são: a) temperamentais: a indecisão é a característica proeminente no portador do transtorno e em seus parentes de primeiro grau. b) Ambientais: relato retrospectivo de eventos vitais estressantes e traumáticos precedendo o início do transtorno ou causando uma exacerbação. c) Genéticos e fisiológicos: 50% dos portadores relatam que há parentes que também acumulam.

O diagnóstico diferencial do TA está relacionado com: outras condições médicas como transtornos do neurodesenvolvimento; transtornos do espectro da esquizofrenia e outros transtornos psicóticos; episódio depressivo maior; transtorno obsessivo-compulsivo, e; transtornos neurocognitivos.

Os objetos são mais simbólicos do que funcionais; são carregados de valores afetivos, sendo por este motivo, difíceis de descartar. Estas pessoas fazem referência que esses objetos serão usados no futuro e vão armazenando. O que é acumulado varia de pessoa para pessoa, assim como a maneira de lidar com o objeto. A ideia de descartar dos objetos provoca nessas pessoas, uma angustia intensa. Provoca também um mal-estar pelo risco de ser criticado e pela tentativa de ser convencido a jogar fora os objetos guardados, assim como que o façam sem seu consentimento.

O que é acumulado pode servir de defesa contra angústias muito intensas e desestruturantes. Ocupa um lugar importante no psiquismo humano, que acalma e traz alívio momentâneo aos sofrimentos humanos e desta forma pode retarda os adoecimentos.

Quando se fala em saúde psíquica Winnicott coloca que o ser humano saudável é aquele que é emocionalmente maduro e esta maturidade envolve uma relação de responsabilidade para com o ambiente. E quando falamos em saúde física podemos pensar em hereditariedade e uma criação suficientemente boa(a mãe tem o papel de supriu as necessidades emocionais do bebe/criança).

Desta forma o corpo funcionará de acordo com o seu desenvolvimento, as faltas serão substituídas por coisas ou animais. Teremos os distúrbios psicossomáticos quando houver alterações no funcionamento deste corpo associados ao estado da psique. Acumular é compensar perdas, afetos e relações primárias.

Como ajudar uma pessoa com esse problema? Ajuda psicológica e geralmente psiquiátrica também..

Referência:

SCHMIDT, D. R.; Méa, C. P. D.; Wagner, M. F. – Transtorno de Acumulação: características clínicas e epidemiológicas, Revista CES Psicologia 7(2), 27- 43,2014.

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Oi! Sou Sônia Augusta, psicóloga pela UniFMU, Pós-Graduada em Arteterapia, Gerontologia e Saúde do Idoso e Acupuntura. Me aperfeiçoei em temas como AT-Atendimento Terapêutico, Saúde Mental em Hospital Geral (Unifesp), Coaching de Emagrecimento, Psicossomática, Biofísica aplicada à Saúde. Sou pesquisadora nas áreas de Medicina Integrativa, Psicanálise, Longevidade, Nutrologia e Medicina Tradicional Chinesa.

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