A psicanálise chama vício de compulsão. Não é algo novo e na obra de Freud a compulsão (Zwang, em alemão) remete diretamente à neurose obsessiva (Zwangneurose), ainda que, no interior desse quadro, ela apresente matizes.
Nas explicações que Freud apresenta sobre essa neurose, compulsão não é simplesmente sinônimo de obsessão, mas diz respeito a uma peculiaridade de determinados sintomas obsessivos: trata-se de pensamentos ou atos que o sujeito realiza ainda que lhe pareçam um corpo estranho, pensamentos ou atos movidos por uma força irresistível contra a qual o sujeito gostaria de lutar.
A compulsão, nesse caso, resulta de um conflito psíquico e de uma luta subjetiva entre duas injunções opostas, estando o sujeito impossibilitado de escolher qualquer uma delas. Encurralado nessa hesitação exasperante, a resposta do sujeito é o ato compulsivo ou o vício., assim sendo os vícios encobrem: conflitos intrapsíquicos, traumas, inquietações de uma mente em sofrimento, dificuldade de expressão, impotência e até mesmo questões inconscientes.
Freud considerava o vício como uma compensação da dúvida que se produz como uma espécie de “vazamento”, ou expressão de inseguranças, dores psíquicas inconscientes, conflitos, traumas, inquietações mentais, impotência, dificuldade de expressão, ruminações antigas…como alguns chamam é uma tentativa de tampar um buraco psíquico. Ou até mesmo esconder. Conheço uma pessoa que tinha um funcionamento social, profissional, familiar satisfatório, contudo após uma espécie de workshop de final de semana que prometia autoconhecimento desencadeou um vício o alcoolismo e nunca mais foi o mesmo. Abriu a ferida e esse tipo de vivencia não trata feridas.
Os vícios prejudicam? MUITO. Os vícios, ou compulsão na psicologia é uma atividade feita de forma repetitiva e involuntária que prejudica a vida do indivíduo. A pessoa passa a dar muita importância ao momento daquilo que lhe traz ter uma falsa sensação de bem estar: compras, jogos, pornografia, masturbação, excesso de alimentação, cigarro, drogas, sexo, álcool, atividade física…
Atrapalha a vida de um indivíduo e afeta negativamente de diversas formas. Seja prejudicando a sua vida social, no trabalho, a sua relação com o outro, mas principalmente, gerando desconforto para a sua mente e mal-estar.
Inicialmente o ato gera uma sensação de prazer, mas depois acaba desencadeando arrependimento e culpa.
A pessoa que tem hábitos compulsivos só os faz porque esses pensamentos exercem uma pressão sobre ela. E aí, na tentativa de aliviar esses sentimentos, ela pratica o ato compulsivo como forma de aliviar a sua mente. O ideal para resolver é entender a causa, já que algumas técnica apenas deslocam de um vício para outro. Medicamentos, psicoterapia para saber lidar com as emoções perturbadoras e enfrentamento, mudança de companhias, estilo de vida…estão entre as formas de combater eficazmente os vícios.
Quais os principais tipos de compulsão que existem? Existem vários tipos de compulsão, mas alguns são leves e não se caracterizam como um distúrbio. Alguns exemplos abaixo:
1. Compulsão alimentar : A compulsão alimentar é o ato de comer muito, mesmo sem estar com fome. A prática pode acontecer para aliviar um sentimento de estresse, ansiedade ou frustração, por exemplo, gerando uma vontade incontrolável de comer. Este comportamento pode causar vergonha em comer fora de casa e de frequentar situações sociais, muitas vezes, gerando o isolamento do indivíduo e o desenvolvimento de doenças como depressão, obesidade, colesterol alto, etc.
2. Compulsão por acumulação : Este tipo de compulsão é caracterizado pela acumulação de objetos em casa. A pessoa passa a colecionar coisas independente do valor, pois não consegue se desfazer delas. O sentimento de se desfazer das suas coisas gera angústia e até agressividade.
3. Compulsão por sexo: O desejo de praticar sexo não é um problema, até o momento em que isso toma conta da vida e dos pensamentos da pessoa. Quando a maioria dos pensamentos do indívíduo se relaciona a sexo e ele possui comportamentos exagerados como se masturbar em excesso, assistir pornografia constantemente ou exigir que seu parceiro pratique o ato muitas vezes ao dia, isso pode caracterizar a compulsão por sexo ou compulsão orgástica. O casamento fica em perigo pelo excesso.
4. Compulsão por trabalho: Este tipo de compulsão gera um estresse constante na vida da pessoa, pois ela não consegue separar vida pessoal e profissional. Muitas vezes, esse vício em trabalho acontece justamente porque a pessoa não quer lidar com os problemas que tem em casa e, portanto, passa muito mais tempo no trabalho.
Ou ainda, pode ocorrer pelo fato de a pessoa dar uma importância exagerada ao trabalho, deixando de lado a sua vida pessoal e a sua saúde mental. Pessoas compulsivas por trabalho, ou workaholics, como também são chamadas, podem se tornar agressivas, competitivas e desenvolver também problemas físicos, como a gastrite, por exemplo.
5. Compulsão por atividade física : O exercício físico está longe de ser um problema. Entretanto, quando essa prática é realizada em excesso, ela pode, sim, ser prejudicial. Alguns sinais indicam que a prática está se tornando uma compulsão e não apenas um hábito saudável, como: ficar tenso, porque você não malhou um dia; se exercitar mais tempo que o necessário; deixar a vida social de lado para ir à academia, entre outros.
Procure ajuda. Autoconhecimento é a chave para regulação e a coragem de mudar e atingir relativo equilíbrio.


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