Psiquiatras e Psicólogos estamos lidando com crianças e adolescentes com sentimentos de angústia, medo e preocupações com as mudanças climáticas.
Incêndios florestais, aquecimento global, crise climática, chuvas torrenciais (que causam enchentes, enxurradas e deslizamentos de terra), La Ninha, El Ninho, ondas de calor extremo…
A American Psychology Association (APA) descreve a eco-ansiedade como “o medo crônico do cataclismo ambiental” sinais de angústia e pessimismo no que tange as mudanças climáticas.
A revista Veja de setembro de 2022 começou um artigo assim:
“Você já se perguntou qual futuro irá deixar para as gerações futuras, diante da constante destruição do meio ambiente? Se a resposta envolve medidas para frear a mudança climática, talvez você seja um eco-ansioso.“
Esse tipo de reflexão não atinge a todos, existe um recorte socioeconômico, visto que as crianças e adolescentes de contextos com mais estrutura e poder aquisitivo possuem mais informações sobre as mudanças climáticas e são mais conscientes.
As camadas sociais com menos recursos apresentam uma noção mais microecológica (limpar a praia, reciclar o lixo, coleta seletiva…) do que climática.
A revista Psychology Today descreveu a eco-ansiedade como “um distúrbio psicológico bastante recente, que afeta um número crescente de indivíduos que se preocupam com a crise ambiental”.
A psicóloga londrina Roxana Rudzik-Shaw disse ao portal NetDoctor, que os Millennials são os pacientes mais comuns a apresentarem problemas de eco-ansiedade. Eles já carregarem sintomas de ansiedade anteriores, que podem piorar devido às notícias, imagens e vídeos compartilhados nas redes sociais e na mídia em geral.
O termo ‘ecoansiedade’ e posteriormente a Ecopsicologia, um campo nascido formalmente em 1989 nos EUA e que considera o cuidado com o meio ambiente como condição fundamental para o equilíbrio psíquico de um indivíduo.
Iniciamos o ano primeiro de Janeiro de 2024 com um terremoto no Japão, que pela potência, 7,6 se fosse em qualquer outro local do mundo os estragos seriam colossais. O aquecimento global, temperaturas extremas, chuvas torrenciais (que causam enchentes, enxurradas e deslizamentos de terra), desgelo de calotas glaciais… são alguns eventos que, além de afetar diretamente os envolvidos, trazem a sensação de desamparo, desesperança e tristeza.
Ecoansiedade não é uma patologia, é caracterizada por um sentimento coletivo, uma vontade de transformação e de urgência em modificar o ritmo da exploração e descaso com o Planeta e seus recursos.
A Terra está pedindo socorro, mas para muitos que nascidos a menos de 20 anos a inconformidade das autoridades os fazem agirem, fazerem camisetas, redes sociais de protestos, cartazes…e manifestações em prol de mudanças ambientais. Além de sofrerem com o desequilíbrio ecológico e ameaças e extinções de espécies: fauna e flora. Sem contar com a ameaças a pessoas e as cidades.
Como psicoterapeuta as pautas para acolhimento são diversificadas e estarmos atualizados com os fatos nos faz ter continência para esse novo público, uma vez que a ecoansiedade tem que ser acolhida como uma possibilidade real e para todos. Não é fantasia é um dado real e deverá ser tratado como tal.
É importante também que a pessoa que está sofrendo assuma o seu lugar dentro desse momento de grave crise. O profissional dá a confirmação do que o paciente está sentindo e o ajuda a encontrar uma maneira de se posicionar no mundo de maneira a aliviar o risco que a pessoa sente.
O risco de emergências ecológicas já vem sendo apontado há um bom tempo. Não é uma novidade. Mas continuamos a viver como se nada estivesse acontecendo. Dentro da ecopsicologia, começou a surgir a ideia de que vivemos uma espécie de negação coletiva.
A ecoansiedade não necessariamente é algo ruim, afinal de contas, se preocupar com o futuro é importante. Mas mais importante do que se preocupar, é tomar atitudes concretas que viabilizem a perspectiva de um futuro melhor.
Alguns buscam o engajamento em algumas atividades, tanto na escola quanto por meio das suas famílias, para converter essa ansiedade em ação e militância.
Eu tenho minha militância, avisar as pessoas que a Terra continuara para sempre e quem arruína a Terra não viverá nela em breve!


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