Ontem tive uma imersão na época em que fiz Arteterapia! Uma amiga com um novo hobby que me fez mergulhar naquela época, aí vieram alguns personagens marcantes como Nise da Silveira que criou o Museu de Imagens Inconscientes no Rio de Janeiro o acervo mais importante do mundo, já que as experiencias ali colecionadas são instrumentos de transformação e de reorganização da realidade interna e externa dos pacientes psiquiátricos.
Mas a Arteterapia não é apenas a expressão de psicóticos e limítrofes, já que ela propicia uma ocupação aleatória com espontaneidade que para alguns é reintegração social, para outros lazer, mas o papel de expressão de sentimentos, emoções e vivencias são singulares.
Hoje tão comum a Síndrome de Burnout, com tantas doenças compulsivas, a busca incessante do perfeccionista em êxitos, destaques, competitividade, atividades racionais, progressivas, profissionais, acadêmicas e espirituais notáveis e gradual, temos querendo ou não, uma pressão para vivermos cada vez mais de modo satisfatório e produtivo.
Infelizmente a Netflix, o Videio game, Pornografia e TV-Assinatura, o Bar para alguns, jogos … são vícios que não acessam o inconsciente, que não ampliam nosso auto conhecimento, não dão desenvolvimento emocional. Não aliviam tensão, ao invés nos deixam profundamente angustiados.
Vou alistar algumas modalidades da arteterapia: Desenho, Pintura, Colagem/recorte, gravura, bordado, tecelagem, Modelagem, Cantar, Escultura, Construção teatro, Tabuleiro de areia, escrita criativa…um Atelier não tem como intenção a preocupação estética, nem ensinar técnicas artísticas, não se preconiza resultados formais com intenção estética é expressão. E cada a um a sua maneira participa de processos.
Uma oficina de arteterapia tem uma proposta de reorganização interna de seus clientes, relaxamento, ampliação do universo interior e expressão. A proposta é uma estratégia de acesso ao mundo subjetivo, uma conexão com o sofrimento mental e com a realidade interna e externa, quer do neurótico ou psicótico. Essa ponte não significa vidas passadas nem nada do gênero.
Lembro-me que conheci uma pessoa que estava passando por sérios problemas psicológicos, depressão e Síndrome do Pânico e ofereci na época fazer velas, apresentei muitos materiais, essências, cores e formas. Apenas dei instruções sobre temperatura da parafina e o resto ficou ao critério dela. Uma das velas dela ficou fantástica, mas ela olhava(quando pronta) e colocava no peito e disse: ”Essa não vou dar para ninguém é minha porque representa a fase mais difícil da minha vida”. Pensei como arteterapeuta, vai ter uma hora em que ela ira jogar fora, já que ninguém quer um objeto que represente o sofrimento, mas foi bem expressivo e serviu o propósito.
Fui a fundo na Arte e loucura, mas existe uma diferença entre o as produções artísticas e técnicas expressivas nas mãos de um psicótico, porque eles enquanto o ego, ou a pessoa criativa, ainda com conteúdo inconscientes se manifestam fortemente, conserva o seu controle, o ego de um psicótico tem uma “função reduzida”.
O artista psicótico, segundo Ernest Kris em seu livro Psicanálise da Arte(1952) diz: “por sua palavra domina os demônios e por sua imagem ele exerce um controle mágico”. A arte de pacientes psicóticos ”regrediu de sua função de comunicação para a de feitiçaria.” Não vou citar um teórico com influencia totalmente psicótica e ocultista que trouxe os conceitos místicos para aquilo que é metafórico.
Totalmente fundamentado em transes espirituais ele distorceu, fundamentou, disseminou crenças equivocadas que corrompem a verdade incorporando, lamentavelmente de crenças mágicas, incorporações…na verdade são eclosão de um aparelho psíquico conturbado, imaturo e dissociado tudo é comunicação.


Deixe um comentário