Assusta o excesso de medicação para tirar o Mal estar da Civilização, queda de produtividade, baixa concentração, cansaço, apatia, dificuldade de relacionamento e desanimo.
Se as pessoas estão ‘funcionando’ , progredindo profissionalmente, financeiramente, na cultura…o que as estão deixando reféns de falta de recursos internos para uma vida satisfatória e mais alegre?
Nesta última semana pesquisei sobre pacientes dotados de uma fina capacidade de observação, revelam algumas características bastante peculiares em seu funcionamento mental. De um lado, são capazes de registrar e armazenar aspectos importantes da realidade externa e interna em que evoluem; da mesma forma, conseguem comunicar com clareza o que puderam captar nos outros e em si mesmos ao longo das diversas situações de vida em que se viram envolvidos, em especial nas situações mais complexas, difíceis e dolorosas.
Do outro lado, tendem a não tirar consequências desses elementos e a não ser capazes de liga-los uns aos outros, para a formação de uma visão mais ou menos integrada e conclusiva da realidade própria e alheia.
Não conseguem, a partir dessas cenas isoladas, montar relatos consistentes narrativas dotadas de passado, presente e futuro, capazes de dar um certo sentido à vida e aos seus padecimentos. Tendem, ao final e a cabo, a não permitir que os elementos percebidos e armazenados, que se repetem infinitamente, desemboquem em decisões e tomadas de posição.
Ou seja, esses elementos são conservados, se acumulam e retornam à consciência com uma perspectiva demoníaca, mas não destituídos de uma certa eficácia.
Caracteriza-se, assim, a posição subjetiva que Octave Mannoni(Clefs pour I’imaginare-1969) colocou muito bem nas palavras: “Eu sei, mas mesmo assim…” Sim e como sabem…! Por que persistem no erro? Porque reproduzem os mesmo padrões, problemas ou escolhas? Mesmo sabendo não há como fazer desse saber alguma coisa útil. Por isso, conservam-se dotados e um saber que os torna muito desconfiados e sem esperança, e outro lado, de uma ingenuidade e falta de experiência que os deixa permanentemente à mercê de “surpresas” e novos traumatismos.
Além de medicação cresce também um tipo de “Psicoterapia” rápida, pontuação selvagem, com proposta de rápidas mudanças e conduzirem as pessoas a uma vida melhor, com mesmo padrões internos. Amada pelos apressadinhos, modelo biomédico…
Balint, M. em seu livro O Médico, seu paciente e a doença(1988), diz que um psicanalista precisa tomar cuidado para não cair na armadilha que consiste em dar conselhos ou confortar o paciente.
Pode ser compreensível e até mesmo justificável, ao menos do ponto de vista do senso comum e da expectativa dos pacientes, que o analista atue desse modo, uma vez que um efeito imediatamente perceptível poderia ser a elevação de ânimo ou mesmo melhoras temporárias no estado geral do paciente. Mas o mesmo autor mostra, mediante exemplos de situações clínicas, que recursos como esses são de pouca valia, já que “aplicação de métodos empíricos aprendidos na vida cotidiana são de tão limitado valor na psicoterapia profissional como as ferramentas de carpintaria na cirurgia” (p. 97).


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