Surgiu nos últimos anos pacientes que só ligam para problemas pontuais, querem serem atendidos de preferencia rápido, naquele dia ou naquela semana, sem tempo de espera: com dores emocionais e problemas e desejam alívio imediato. São irregulares, não se configuram nos contornos e princípios para Psicanálise e muito menos seus combinados(setting). Assusta o vínculo regular e demorado.
Estamos falando de PS? Psicologia de Emergência? AT-Atendimento Terapêutico? O que é isso? Esses pacientes são aceitáveis ou não vindo de 15 em 15 dias ou só quando precisam?
Vou recorrer a três psicanalistas contemporâneos para explicar minha postura: Primeiro Joel Birman em seus livros: Mal-estar na atualidade e psicanálise e as novas formas de subjetivação e O Sujeito na Contemporaneidade. Esse autor cuja dor e o sofrimento ocupam um papel primordial em sua teoria, traduz brilhantemente que o sujeito da atualidade padece de dor, e não de sofrimento, esse é o seu maior mal. A dor é uma experiencia subjetiva, nas qual as pessoas fecham-se nelas mesmas, como um caracol que se esconde em sua colcha.
O mundo não lhe interessa, não existe lugar para nenhuma outro diante de seu mal-estar, nada pode ajudar. A dor aprisiona, prende, fecha é um trauma sem qualquer vislumbre de uma possibilidade de significação. O sujeito é tomado por um excesso que não possui circuito pulsional para descarga, de forma que ele será descarregado como ação ou intensidade no corpo. O adoecimento é uma das atuais buscas da clínica.
O que alguns trazem em suas emergências: dor e desamparo e que se relacionam diretamente com duas categorias fundamentais para compreender o ser humano, já que encontram-se desalentados e desmorecidos e com dificuldade de constituição de subjetividade. O sujeito contemporâneo para Birman estão o com escassez de simbolização e possibilidades psíquicas enfraquecidas.
A sociedade está gritando para as pessoas fazerem, crescerem, terem pressa e nem todas acompanham, aís vem as sensações de arritmia, tontura, suores e uma gama de manifestações corporais do estado de choque e conflito. O ser meditativo e sensível, estrutura fóbica, se perdeu ou está sendo engolfado.
Em vez de padecerem de um sofrimento e centrado no conflito psíquico, embate de um fruto pulsional e as interdições morais, o sujeito adoece de sua dor irrepresentável ou dependendo do perfil com aceleração e intensidade. Será que acolher esses sujeitos é errado?
O segundo autor é Fábio Herrmann em sua Teoria do Campos, e seu livro que leva o nome: Introdução a Teoria dos Campos. Ele raciocina da seguinte forma; alguns pacientes são mais kleinianos, lacanianos, winnicottinaos etc..o que significa apenas que, para cada analisando, é preciso encontrar uma forma adequada de conduta técnica, um programa de trabalho compatível, dentro das determinações gerais do método. Seguir à risca esses modelos significa regras organizadoras do psiquismo.
Segundo ele o Campo metodológico pode se romper e a tendencia é essa, todos os sistemas inconscientes que surgem durante um atendimento depende da atividade diagnóstica, diferente do diagnóstico psiquiátrico que exprime num rótulo, o diagnóstico psicanalítico é essencialmente transferencial, consiste em tomar em consideração segmentos longitudinais do tratamento, para compreender qual o campo predomina na transferência e se cabe ou não tentar rompe-lo, rejeitar ou acolher.
As pessoas estão em crise representacional, de identidade e com muito medo. O medo paralisa, faz tremer, evitar, desconfiar e sofrer. O mundo não se limita as restrições da moldura analítica, essas emoções das situações de crises podem serem acolhidas, estou falando de transferência e de uma crise de saúde mental.
O terceiro é Bion que traz o termo “Pensador”. A não satisfação e a não realização imediata dessas necessidades. Angústias e desejo, ou seja, a experimentação da frustração, precisa ser suportada e tolerada, e para que isso ocorra é que o indivíduo começa a desenvolver um aparelho para pensar. A análise Bioniana tem como objetivo justamente fazer o sujeito pensar e contribuir para a expansão de seu universo mental.
Vivemos em uma sociedade da Ciência, do Espetáculo, da chamada queda do Nome do Pai, das “Mães Mortas”, da ausência da fé, famílias com novas configurações…receber o sujeito sofrente e seus circuitos pulsionais em crise é um desafio que temos. Por isso que alguns criticam a Psicanalise, por seu engessamento ou regra de filiação.
Precisamos nos moldar ao pós-modernismo, ao pós-pandemia e ao sujeito, desamparado, fragilizado e vítima se seu próprio solipsismo. Quando eles procuram estão pelejantes.
Finalizo com uma frase da Música de Lenine -Paciência: “Mesmo quando tudo pede; Um pouco mais de calma; Até quando o corpo pede; Um pouco mais de alma; A vida não para…A vida é tão rara.”


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