Sei que alguns irão achar meu olhar etnocêntrico, afirmo que sim. Em um país de Heitor Villa Lobos, Tom Jobim, Leny Andrade… o que acontece com aquilo que os adolescentes e jovens atualmente escutam, nas ruas e as altas horas?
Diversão? Movimento? Expressividade? Ou apenas licenciosidade? Até onde sei música é formada de notas, ritmo, harmonia e melodia. Sem simetria e apenas; cortes, ruídos, gemidos, palavrões, linguagem baixa e decadente, insinuações sexuais explícitas… essa representação social é o retrato da pós-modernidade.
Os deuses gregos estão aí, sempre falo isso, sim atuando e influenciando: expondo suas orgias, depravações e perversões.
Nos inícios dos anos 80 Rick James tinha ritmo, percursos do Funk americano, mas já tinha letras insinuantes, atualmente despencou o modelo.
Atualmente essas festas são universitárias, becos, praças, ruas e não apenas nas favelas cariocas, porém ocupa espaço no Brasil e até em boates internacionais, além da televisão e internet. Atração internacional e investimento de muitos empresários.
Em 2009, pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, o funk tenha sido considerado como um movimento cultural histórico e de caráter popular.
Acho importante ir além de um ponto de vista, vendo o todo a sociedade, a com a cultura em que o funk está inserido, atua como promotora de identidade e influencia, granjeando pessoas com pais que deram pouco: contorno, olhar, afeto, diretrizes…
Aí em busca de identidade esses sujeitos em formação aceitam, “músicas” que analisadas reforçam, o machismo, a imagem da mulher como objeto sexual, a desigualdade de gênero; trazem conceitos e ideologias que formam caráter.
São discursos ideológicos, já que comunicam comportamentos, valores e crenças, e induzem o indivíduo a identificar-se com a ideologia defendida por determinados grupos musicais, não de forma autoritária, mas prazerosa, sem ao menos resistir a algumas manipulações, quiçá por não optar por um senso crítico.
O que a psicanálise acha disso? Recorro a Mestre Maria Rita Kehl em um artigo A juventude como sintoma da cultura:
“ O gozo, afinal, é aquilo que pede para ir sempre além dos limites do prazer- nisso consiste seu vínculo com a pulsão de morte. O gozo ameaça a vida do corpo e a vida psíquica…toda publicidade apela para o “sem limites” da vida dos adolescentes, representado pela velocidade da moto, pela potencia do aparelho de som, pela resistência do carro, pelo barato da cerveja e do cigarro…não é de estranhar que a drogadição tenha se transformado no sintoma emergente entre os adolescentes dos países industrializados. A droga encarna o objeto de gozo. Drogadição e delinquência: duas modalidades de recusa da castração produzida em massa pela lei do mais gozar que rege o laço social.”
É o retrato social. Pancadão para: Chocar? Envergonhar? Extravasar? Gozar? Incomodar? Ou apenas mostrar a falência dos valores contemporâneos?

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