O que nos enlouquece

Ontem à noite conversando com uma amiga Psicanalista falamos sobre: loucura e narcisismo.

Hoje acordei pensando em Lacan, manejo do psicótico e livros e curso de Acompanhamento Terapêutico e Psicose.

O mundo inteiro neste ano atravessa uma onda de eleições, fora de nosso País também, os delírios, desejos, ideais de sociopatas, distorções do real e busca do poder já são quadros de loucura. E nesse clima com a cidade em transição, já que os espaços urbanos que não estão mais sendo contemplados, lojas fechadas e o medo da violência: motoboy, bicicleta, pedinte…O homem atual é aquele que circula pelas ruas, os que tem muita coragem, solitário, enfrentando o caos urbano e tendo que ser haver com os efeitos que essa circulação promove em si.

A família não dá o aporte emocional para as crianças, adolescentes, jovens, adultos…vem uma onda arrasadora de lixo pela Internet, impondo como: “sabedoria’, lei, regra, cultura, informação… mensagens, interlocutores, influencer… imbuídos de autoridade que vão desde um conteúdo alienante, desviante, alucinante, consumista, viciante, degradante, criminoso, eliciador…sem restrição. Não é mais a família que direciona os filhos e nem a escola.

Para alguns pacientes psiquiátricos a peculiaridade de seus funcionamento e relacionamento, as questões meramente triviais assumem uma intensa polaridade entre a vida e a morte, sanidade mental e loucura. O medo de ser ‘castrado’ interpretam tudo como sendo invasivo, déspota e com a ilusão de desintegração, por isso receber passivamente o que vem de uma tela parece mais brando, contudo influenciador passivo e modulador de uma mente que fica a cada dia mais curta, sucinta e  lacónica. Sem crítica, contorno, além de antiética, amoral e profícua.     

Segundo Guerra ( 2010 , p. 38-39), existe uma tríade de situações que, articuladas, promove o processo de desencadear a psicose: a foraclusão do Nome-do-Pai (condição estrutural), a quebra de uma de suas identificações imaginárias, e uma condição específica: quando a casualidade dos acontecimentos da vida convoca, ao psicótico, o Nome-do-Pai foracluído em oposição simbólica ao sujeito (a falta de significantes), ou seja, toca no ponto onde falta Um-pai, no lugar em que o sujeito não pôde chamá-lo antes, é satisfeita esta condição.

Com o primeiro ensino de Lacan (1953-1963), estabelecem-se, na seara da psicose, como conceitos referenciais, “a foraclusão do Nome-do-Pai no lugar do Outro e elisão do falo, a regressão tópica ao estádio do espelho e um desregramento de gozo (por falta do arrimo fálico)” (Quinet, 2006 , p. 26).

Enfim quer deixar alguém louco, tire os limites, não introduza A Lei. A Castração de Freud e Nome-do-Pai para Lacan. A adesão de concepções arcaicas de deuses politeístas do antigo Egito, Indianos, Romanos e a tragédia Grega, sufismo, e exemplos simbólicos são para amenizar o caos desregrado, violento e perverso dessas deidades, cambiantes até hoje em nossa sociedade.

Lugar perfeito para dominações perniciosas! Neste terreno fértil vem com força o Narcisista, com vítimas frágeis, co-dependentes, fragilizadas, deprimidas, confusas, esperançosas e ingênuas. Querem ajuda e a imagem de poder, brilho, sabedoria, bem estar, vantagem, prestígio…são para elas um refúgio maligno, pois não há por detrás das bondades, presentes e declarações amor e nem altruísmo.

Colocarei na íntegra a descrição de Jacques Lacan no Seminário 3 – as Psicoses a descrição de como é um relacionamento com um Narcisista, pg.111:

Ele põem em evidencia a natureza dessa relação agressiva e o que ela significa. Se a relação agressiva intervém nesta formação chamada o eu, é que ela a constitui, é que o eu é desde já por si mesmo um outro. O eu, é esse mestre que o sujeito encontra no outro, e que se instaura em sua função de domínio no cerne de si mesmo. Se em toda a relação, mesmo erótica, com o outro, há um lugar eco dessa relação de exclusão, é ele ou eu, é que no plano imaginário, o sujeito humano é assim constituído de forma que o outro está sempre prestes a retomar seu lugar de domínio em relação a ele, que nele há sempre um eu que sempre é em parte estranho a ele, senhor implantado nele acima do conjunto de seus tendencias, de seus comportamentos, de seus instintos e de suas pulsões.”

Por isso o Narcisista inferioriza, tenta controlar, ofender, se atrelar, respirar e defender o objeto que lhe falta, que está no outro, por sua falta de percepção própria, e ausência de humildade em admitir as virtudes de seus pares: filhos, amigos, parentes ou parceiros. Mesmo bonitos, com boas feitorias, generosidade, ações notórias, ações nobres…para omitir o inconsciente perverso. Querem aplauso, admiração e poder.

Referencia Bibliográfica:

Guerra, A. M. C (2010). A psicose. Coleção Passo-a-passo, n. 90. Rio de Janeiro, RJ: Zahar.

Lacan, J. (1988). O seminário, livro 3: as psicoses (2a ed. revista). Rio de Janeiro, RJ: Zahar. (Trabalho original publicado em 1955-1956).

Quinet, A (2006). Psicose e laço social: esquizofrenia, paranoia e melancolia. Rio de Janeiro, RJ: Zahar.

Foto por cottonbro studio em Pexels.com

Deixe um comentário

Oi! Sou Sônia Augusta, psicóloga pela UniFMU, Pós-Graduada em Arteterapia, Gerontologia e Saúde do Idoso e Acupuntura. Me aperfeiçoei em temas como AT-Atendimento Terapêutico, Saúde Mental em Hospital Geral (Unifesp), Coaching de Emagrecimento, Psicossomática, Biofísica aplicada à Saúde. Sou pesquisadora nas áreas de Medicina Integrativa, Psicanálise, Longevidade, Nutrologia e Medicina Tradicional Chinesa.

Bem vindo (a) ao meu Blog!

Me siga:

Categorias

Descubra mais sobre Psicóloga Sônia

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue lendo