Atualmente com o surgimento de tantos métodos e propostas da psicológicas, neurologia e estudos do comportamento humano faço alusão a um Teoria pouco suscitada nos últimos 30 anos, mas que responde a onda de : Ansiedade, Depressão, avalanches de Síndromes, e inúmeros Transtornos e Psicopatologias atuais. Vou escrever sobre a Teoria do Apego.
Fundada e estabelecida por conceitos de que Bowlby construiu com base nos campos da psicanálise, biologia evolucionária, etologia, psicologia do desenvolvimento, ciências cognitivas e teoria dos sistemas de controle, ele não teve nenhum surto psicótico ou transe espiritual.
As observações sobre o cuidado inadequado na primeira infância e o desconforto e a ansiedade de crianças pequenas relativos à separação dos cuidadores levaram o psiquiatra, especialista em psiquiatria infantil, e psicanalista inglês John Bowlby a estudar os efeitos do cuidado materno sobre as crianças, em seus primeiros anos de vida. Ele foi como Winnicott, já que ambos saíram da clínica médica: Pediatria para a especialização em Psiquiatria e Psicanálise.
Impressionado com as evidências de efeitos adversos ao desenvolvimento, atribuídos ao rompimento na interação com a figura materna, na primeira infância assim surge a Teoria do Apego -TA.
Bowlby buscou alternativas embasadas cientificamente para se defender dos reducionismos teóricos, dando ênfase aos mecanismos de adaptação ao mundo real, assim como às competências humanas e à ação do indivíduo em seu ambiente. Não foi para o behaviorismo e outras tendencias da época.
Após essa teoria outros estudiosos continuaram com a mesma base de estudo:
M. Cortina & M. Marrone 2003, consideram que a TA organiza o comportamento em termos de um sistema motivacional e que as ideias de Bowlby representaram o ponto de partida para o desenvolvimento de uma nova teoria da motivação humana, que integra aspectos da biologia moderna e inclui afeto, cognição, sistemas de controle e de memória, além dos aspectos envolvidos no desenvolvimento, sustentação e provimento dos laços de apego.
TA também seja considerada uma teoria relacional das interações sociopsicológica, já que contempla os processos normais de desenvolvimento e a psicopatologia humana, além de abordar os processos de informação para a compreensão dos mecanismos psicológicos utilizados na vivência de um trauma ou uma perda, ou, ainda, na experiência de negligência ou rejeição pelas figuras de apego.
Com e isso essa abordagem teórica oferece uma base para estudos sobre os afetos e as emoções dos seres humanos, proporcionando um suporte empírico coerente para a compreensão dos processos de desenvolvimento normal e patológico, ao integrar aspectos da biologia moderna ao embasamento de seus estudos.
Para J. Crowell & D. Treboux 1995, as pesquisas sobre a TA no século passado se evidenciam atualmente, onde mostra que teria um impacto tanto na parentalidade, como nas relações românticas e em seus pensamentos, percepções e comportamentos; as relações entre o apego da infância e sua continuidade na adolescência; e analogias com as patologias e suas evoluções.
Gravidez na Adolescência, Divórcios, Novas configurações familiares, filhos que são gerados por casais que não se amam ou estão sem sintonia, lares disfuncionais: brigas, violência, traições, doenças emocionais veladas ou não… formam essa geração que temos aí: dificuldade de lidar com obstáculos da vida, pouca resiliência ao estresse e os desafios contemporâneos.
Por mais que tentem ignorar a raiz para as repostas, sondar a bases, dão evidencias e responde o quadro atual de “Novas” Psicopatologia e aumento de medicação indiscriminada.
O ciclo vital de uma pessoa pode mudar através da análise do estilo de apego de um indivíduo. Processos de rompimento ou a qualidade dos vínculos de apego, tanto na infância e adolescência quanto na vida adulta, acarretam transformações nas imagens do self, entre outros fatores, a TA representa um campo repleto de possibilidades de aplicações, benéficas a áreas dedicadas à compreensão do desenvolvimento humano.
Indicação para quem tiver interesse:
BOWLBY, J. (1969/1990) Apego e perda: Apego – A natureza do vínculo. São Paulo: Martins Fontes, vol. 1.
______. (1973/1980) Apego e perda: Tristeza e depressão. São Paulo: Martins Fontes, vol. 3.
______. (1973/1984) Apego e perda: Separação. São Paulo: Martins Fontes, vol. 2.
______. (1979/2001) Formação e rompimento dos laços afetivos. São Paulo: Martins Fontes.
______. (1989) Uma base segura: Aplicações clínicas da teoria do apego. Porto Alegre: Artes Médicas.
CORTINA, M. & MARRONE, M. (2003) Attachment theory and the psychoanalytic process. London: Whurr Publishers.
CROWELL, J. & TREBOUX, D. (1995) A review of adult attachment measures: Implications for theory and research. Social Development, vol. 4, nº 3, pp. 294-327.


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