Hoje nem o corpo vem mais, temos apenas a imagem. Que por sinal é exaltada e sempre requintada em retoques e maquiagens, procedimentos e cabelos lisos e arrumados. O estereótipos de bocas(lábios), maça do rosto, nariz e testas lisas cheias de Botox é impressionante!
Estamos diante de patologias contemporâneas, o corpo é o local atingido pelo sofrimento que não pode ser simbolizado novas patologias.
Vivemos um enfraquecimento dos laços familiares, sociais, de parentesco, de vizinhança e de trabalho o que provoca no indivíduo um sentimento de estranheza de si mesmo e uma dificuldade de gerir a própria vida. A falta de comunicação e de troca de experiências presente na atualidade causa o empobrecimento da subjetividade, pois não há mais espaço para a transmissão e elaboração da experiência. O valor para coisas, exterioridades e imagem predomina a valores subjetivos e profundos.
Hoje, com o desenvolvimento da ciência e da tecnologia, o homem busca alcançar o ideal de perfeição por meio da imagem corporal. O corpo físico volta a ser julgado como causa real da ferida narcísica, pois assistimos a um investimento maciço na imagem corporal. Muita Biopedância e pouca Biorressonância, a massa corporal predomina sobre a saúde profunda e energética do corpo e sua interação com o ambiente e alimentos.
Preocupação, tensão, dificuldade no sono, stress, déficit hormonais aumentam o peso, mas na ditadura do emagrecimento alguns perdem o bom senso e fazem dietas radicais, e não funcionais ou alcalinas, apenas calóricas(pouco importa a saúde ou nível de energia celular), emagrecer é regra social.
As pessoas querem o corpo ideal e não a saúde ideal. O homem busca uma imagem perfeita de si mesmo e padece de um fascínio pelas possibilidades de transformação física oferecida pelas próteses, cirurgias plásticas, medicamentos, exercícios físicos.
Jurandir Freire da Costa afirma que o mal do século é o mal do corpo, sem a boa forma e a saúde ficam minadas nossas chances de alcançarmos sucesso. Nesse contexto, a construção dos ideais de felicidade depende do desempenho sensorial do corpo. Então, tudo o que denuncia o envelhecimento corporal : rugas, a flacidez, a celulite, os cabelos brancos … deve ser combatido. Todos os recursos devem ser usados para manter a aparência jovem do corpo.
Há uma luta constante contra os efeitos do tempo no corpo contemporâneo, uma tentativa de desvincular corpo e tempo. As marcas :rugas, cabelos brancos, acúmulos de gorduras. Olheiras, manchas senis… deixadas no corpo pelo tempo são negadas, apagadas pelas cirurgias plásticas e pelos exercícios físicos e medicamentos que prometem o rejuvenescimento.
Assim, a busca por um padrão de beleza exigido pela sociedade parece ofuscar o bom-senso das pessoas em relação à própria saúde. Percebemos que boa parcela dos adultos contemporâneos vive como os adolescentes, acreditando no mito da eterna juventude, reforçado pelo consumo desenfreado de produtos que prometem a beleza e a vida eternas, desprovidos de rituais de passagem que lhes permitam lidar com seus problemas reais.
Por de trás de peles lisas e jovens, assim como peso ideal há tristeza, ansiedades, frustrações e problemas sexuais, conjugais…cabe ao analista atual compreender as transformações do mundo em que vivemos e ampliar sua forma de trabalho e como a escuta psicanalítica, criando formas de intervenção mais profundas e amplas.
O mundo carece de limites. As pessoas e a sociedade perderam os contornos.
Cabe aos analistas propiciar um espaço, por meio da escuta clínica, para que os pacientes resgatem suas narrativas e desenvolvam suas singularidades, tornando-se protagonistas de sua própria história.
Referência Bibliográfica:
COSTA, Jurandir Freire. O vestígio e a aura: corpo e consumismo na moral do espetáculo. Rio de Janeiro: Garamond, 2004.


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