Sintomas Histérico

O caso que se tornou modelo da Histeria foi o caso Dora que era uma histérica de 18 anos levada a Freud por seu pai devido a uma intenção de suicídio, enunciada em uma carta, seguida de um acesso de desmaio. Ela apresentava sintomas de depressão, transtornos de caráter e alguns sintomas somáticos, como tosse nervosa, dispneia e afonia.

Dora já apresentava transtornos neuróticos desde a idade de 8 anos (problemas respiratórios). Aos 12, aparecem dores de cabeça, tosses nervosas e pigarreamento. As dores de cabeça desaparecem à idade de 16 anos, o resto persiste. Foi em 1894 que a palavra “conversão” passou a ser utilizada no trabalho de Freud e Josef Breuer esse  termo passou a designar um sintoma motor que substitui uma ideia reprimida.

Com este quadro de sintomas, Freud procurará confirmar a presença de um conjunto de condições, enunciadas desde o Estudos sobre a histeria (1893-1895), para o aparecimento da histeria, como o trauma psíquico (que se organiza como um “corpo estranho” no interior do sistema de representações do sujeito), o conflito de afetos e a intervenção da esfera sexual.

O estudo profundo da Histeria aponta condições complexas de angústias e fantasmas todos ligados a sexualidade, enquanto alguns querem apenas o afeto, carinho, companhia e atenção do esposo e rejeitam o falo(órgão genital), outras pessoas apenas se fixam no ´órgão sexual” e a fixura é essa região descartando o todo. Isso tem relação como foi estudado por K. Abraham em Obras Completas(pg300) com o interesse com parte do corpo do pai, o pênis…isso inconscientemente ora como o pai ora com seus órgãos genitais, que haviam tornado o representante dele.

A fantasia da histérica é uma representação inconsciente e atualizada em uma tríplice identificação: identificação com o outro desejado, com o outro desejante e com a insatisfação dos dois amantes. Isso está na esfera do desejo, castração e angústia assuntos que geraram livros.

Existe hoje na clínica uma demanda, mesmo em um mundo louco por sexo, de pessoa que não conseguem e evitam a relação sexual. Homens brilhantes, mulheres aparentemente maravilhosas que não usufruem e desfrutam da satisfação sexual com seu conjugue.

Esse antagonismo e confusão: na mente, na história, no inconsciente, no afeto, na sexualidade…devido a traumas, família, ou contexto da infância(imaturidade do casal em mostrar e deixar aparente a relação sexual) são adultos funcionais, inteligentes, cristãos, sociáveis…mas frustrados sexualmente.

Importante é a submissão do histérico no discurso do mestre, um conselheiro, líder religioso, pai, avo… profissional ou alguém que é tido como ‘superior’. Talvez a partir daí possamos entender uma afirmação central de Lacan: “a histérica quer o saber como modo de gozo, mas para fazê-lo servir à verdade, à verdade do mestre que ela encarna, enquanto Dora. E esta verdade é, para dizer de uma vez, que o mestre é castrado” (Lacan, 1998, p.110)

Ou seja, Dora não quer o gozo, mas o saber sobre a verdade da castração. Saber sobre como a via fornecida pelo pai (e por todo homem que entrar na mesma série de identificações paternas, como o próprio Freud tentou fazer – de onde se segue o problema fundamental de sua interpretação) encontra-se inutilizada, pois não há vida afetiva possível para ela aqui. No entanto, este é um saber a respeito do qual ela não sabe o que fazer. Este gozo histérico da castração termina necessariamente no infinito ruim do desvelamento da impotência do mestre, ou seja, revelação da incapacidade de certo tipo de homem saber o que fazer com o desejo de Dora. Tal gozo histérico se realiza apenas na satisfação neurótica de dizer e comprovar insistentemente que os homens nunca a entenderam e nunca a entenderão, nunca saberão reconhecer sua feminilidade em toda sua extensão.

Desse modo, a construção do feminino passa pela compreensão de que as posições heterossexuais são menos normativas, rígidas e coerentes do que certas teorias de gênero gostariam de nos fazer acreditar. Admitamos que na base da posição heterossexual há a ideia de que o desejo se deixa tocar pela diferença sexual, de que há uma experiência de diferença que é motor de gozo. No entanto, tal diferença não é apenas externa, mas interna à própria identidade subjetiva.

Como se no interior de uma identidade de gênero houvesse uma forma de gozo que é abertura à experiência da diferença, que é marca dos objetos e posições que foram abandonadas na constituição de uma identidade de gênero e na definição de escolhas heterossexuais de objeto.

O Homossexualismo, o aumento de Sex Shop agora virtual, com produtos eróticos que são utilizados principalmente por casais segundo pesquisas. Isso não é mais retratado como dificuldade ou problema emocional, mas virou comercio: a erosmania como é chamado, a pornografia e sites de encontros apenas para sexo.

Não é mais tabu, mas é instigada pelos deuses gregos, loucos por sexo, que incitam o hedonismo a qualquer custo e com coisas aparentemente naturais.  Assim como quem tem compulsão alimentar, os adictos buscando ervas ou chás alucinógenos, o alcoolista que só toma cerveja ou vinho… o político que rouba mas faz…

Referência:

LACAN, Jacques (1998) Séminaire SeminaireXVII Paris: Seuil .

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Oi! Sou Sônia Augusta, psicóloga pela UniFMU, Pós-Graduada em Arteterapia, Gerontologia e Saúde do Idoso e Acupuntura. Me aperfeiçoei em temas como AT-Atendimento Terapêutico, Saúde Mental em Hospital Geral (Unifesp), Coaching de Emagrecimento, Psicossomática, Biofísica aplicada à Saúde. Sou pesquisadora nas áreas de Medicina Integrativa, Psicanálise, Longevidade, Nutrologia e Medicina Tradicional Chinesa.

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