O que é Paranóia

As pessoas que conheci, com essa doença. pareciam “normais”, mas elas trazem uma narrativa de uma perturbação quanto ao pensamento distorcido. Em outras palavras, é um pensamento delirante, embora lúcido e sistemático sobre uma ideia ruim. É algo crônico, mas sem apresentar alucinações, além de desenvolver uma lógica interna sobre uma ideia irreal. Existe uma falta de divisão subjetiva e sempre estão com certeza de suas convicções quer profissionais, políticas ou religiosas.

Eles desempenham bem o papel proposto, que acreditam ser a própria função que desempenha, se ligam na identidade do que fazem. Há uma fixação no registro Imaginário como diz Lacan, ou seja, há uma estase de ser uma identificação ideal, encarnam a imagem de vítimas eleitas para um ideal. Sempre são aos outros provas de que essa unicidade com o papel que assumem: profissional, político ou religioso, não busca como os neuróticos outros ideais de acordo com suas decepções e reconstituição de novas ambições. A paixão de ser UM é o que caracteriza o Paranóico. Ele tem um mestres significante que mesmo sendo unificador e direcionador que dá o sentido tem um traço unitário paradoxalmente também é a base da distinção.

O paranóico ama o Um com a si mesmo e, entre paixões do ser, verificamos o amor pelo Um, e o ódio pelo diferente(hetero) e a ignorância da divisão subjetiva. Essa é sua patologia.

O visco do Imaginário se apresenta na tendencia do paranóico de buscar em tudo um sentido, aponto de essa modalidade de psicose ter sido descrita inicialmente como uma “loucura raciocinante” tendo por base a interpretação, acha que tudo está por detrás de um ‘destino’ ou força maior para justificar seus desejos e escolhas.

Ele interpreta tudo a partir de si mesmo, o qual se transformam em significados a favor (suporte megalomania) ou contra(suporte da perseguição) o sujeito, ou melhor tudo contém esse significante do qual ele não se diferencia.

Kraepelin chama a paranóia de “delírio de interpretação” Para eles o que está em questão na paranóia e a interpretação que se diferencia da ideia delirante. Com uma auto-referencia mórbida, ele acha que tudo tem haver com ele, achando ser sinal divino ou coisas que ele descobre por ser mais inteligente que a maioria da pessoas, ou especial.

Ele cria uma significação, e as interpretações vem a partir deste ideal que ele vive e incorporou. Segundo Sérieux e Capgras eles fazem uma distinção importante entre interpretação delirante e interpretação falsa. A interpretação delirante tende a se difundir, se espalhar, se associar a ideias e se organizam em sistemas, estando aí ausente qualquer dialética possível.

 A característica delirante é a certeza. E pela convicção de interpretações delirantes ele tendem a atrair pessoas sensatas e inteligentes pela faculdade silogística do pensamento. O neurótico sempre tem dúvidas e esta dividido o paranóico tem um poder de interpretação distorcido com a certeza absoluta, mesmoq eu se prove o contrário, ele não aceita. Séreux e Capgras chamama a atenção para a vivacidade da inteligência que se manifesta na defesa das convicções delirantes. Ele deduzem e possuem meios para fornecer argumentos a suas ideias.

Freud chamou a paranóia de uma psicose intelectual. Para Lacan o paranóico quer impor a ‘lei do coração’, por isso Lacan o associa a “bela alma” que á aquela que denuncia e reclama da desordem do mundo, contra os dissabores que a realidade traz, ele quer colocar Lei, um empreendimento insensato. Devido a superabundância do desejo.

E ele tenta justificar e extrapolar em busca da pletora do coração, tentando  achar bases e teorias para justificar sua intenção e direção. O sujeito “não reconhece nessa desordem do mundo a própria manifestação de seu ser atual, nem quer que o que ele sente como lei de seu coração é apenas a imagem tão invertida quanto virtual desse mesmo ser.” Lacan chama de “fórmula geral da loucura” o desconhecimento da parte que lhe cabe no mundo.

Esta, aponta Lacan, sempre se realiza como “uma estase do ser numa identificação ideal que caracteriza esse ponto de um destino particular.”. Há uma fixação imaginária pela inabilidade da libido narcísica. Agora para os leigos alguns sintomas comuns nos paranóicos, além da teimosia e inteligência e parecerem “normais”:

Desconfiança: esse é um dos sinais mais evidentes do distúrbio, dificultando os seus relacionamentos em qualquer nível. Por isso é importante observar.

Esforço e ansiedade: a mente faz um esforço muito grande enquanto tenta acompanhar a realidade. Isso vem acompanhado de uma ansiedade que antecipa conflitos muito próximos e sempre graves.

Fadiga: a preocupação constante cansa, por mais absurdo que pareça. Por isso que não é incomum um cansaço frequente no paciente.

Medo: já que imagina ser alvo de perseguição ou ataque, por mais que não pareça, o medo o segue durante o dia inteiro.

Sensação de isolamento: dificilmente outra pessoa saberá lidar com isso e o doente se sentirá só, por mais que a boa intenção dos outros prevaleça.

Amargura: é difícil para ele captar algum afeto tanto quanto é difícil para alguém se aproximar. Isso resulta numa pessoa amarga, sem muita expectativa quanto a vida.

Depressão: aqui já temos um pulo para uma doença, fazendo com que a união das duas intensifiquem a presença em sua mente. Há comorbidades paranóia e o eixo depressivo.

Não são todas as linhas da Psicologia que poderão ter o manejo correto dessa doença, cuidado na escolha do profissional, caso contrário reforçara a patologia.

Referencia

J.Lacan “ A realidade é abordada com os aparelhos do gozo”, in O Seminário, livro 20, Mais ainda, Rio de Janeiro: Jorge Zahar, pg75

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Oi! Sou Sônia Augusta, psicóloga pela UniFMU, Pós-Graduada em Arteterapia, Gerontologia e Saúde do Idoso e Acupuntura. Me aperfeiçoei em temas como AT-Atendimento Terapêutico, Saúde Mental em Hospital Geral (Unifesp), Coaching de Emagrecimento, Psicossomática, Biofísica aplicada à Saúde. Sou pesquisadora nas áreas de Medicina Integrativa, Psicanálise, Longevidade, Nutrologia e Medicina Tradicional Chinesa.

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