TPM-Tensão Pré Menstrual: Freud explica?

Preciso dividir com meus leitores o livro: TPM, Tensão, paixão e mal-estar- a Subjetivação de uma mulher em tensão Pré-menstrual da editora Escuta. É a explicação psicanalítica. Estudo profundo e atual.  

Os desconfortos que acompanham o período pré-menstrual, como mamas doloridas, abdômen inchado e leves cólicas são normais e não afetam a vida cotidiana da mulher. Portanto a TPM podem reagir com respostas trágicas:

Há uma sensação difusa de que “as coisas estão desmoronando” durante o período da TOM, Dalton, médica inglesa com grande experiencia nessa área, observou que as mulheres seriamente atingidas pela TPM ficam mais vulneráveis aos comportamentos extremos durante esse período. Dalton documentou um aumento da probabilidade de acidentes, abuso de álcool, tentativas de suicídio e crimes cometidos por algumas mulheres.” (Lark, 2001, p.16)

No DSV-V aparece como Transtorno Disfórico Pré-Mentrual 625.4 CID F32.81 sim os prejuízos foram codificados. Sabe-se que esta doença está relacionada a alterações bioquímicas nos níveis dos hormônios sexuais: estrogênio e progesterona, já que eles alteram os neurotransmissores do sistema nervoso, atinge suprarrenais e o funcionamento cerebral. Seria apensa isso? Não

A TPM surge em um corpo real e de um real corporificado no desamparo sintomatizado, principalmente na hostilidade ou na depressão. O corpo simbólico submetido aos sintomas pouco foi estudado.

Para Freud a cultura é essencialmente o reflexo, em grande escala, dos conflitos dinâmicos do indivíduo. Segundo Mezan (2002, p259-260)

“ A subjetividade é o resultado de processos que começam antes dela e vão além dela, processos que podem ser biológicos, psíquicos, sociais, culturais etc. Por isso, pode-se concebe-la como condensação ou sedimentação, num dado indivíduo, de determinados que se situam aquém ou além da experiencia de si, e que de algum modo a conformam, ou pelo menos lhe designam certos limites e condições.”

Jurandir Freire da Costa(1979) explica que o nervosismo de origem sexual, a partir do século XIX, veio a ter dimensão que a histeria teve na vida da mulher oitocentista. A mulher nervosa foi avante da família e de papeis que continham seu poder, ela se tornou insatisfeita com ser mãe, mulher e foi para fora e na sociedade se expandiu, liderou, conquistou, estudou, empreendeu…seu desejo de poder é ‘podado’ com a menstruação.

O livro lança luz sobre muitos conceitos psicanalíticos de Freud e Lacan, mas é fantástica a questão da Castração e Identidade Sexual de Freud e a teoria do Mais-Gozar de Lacan sobre esse tema.

Para Lacan o gozo foi repensado no âmbito de uma teoria da identidade sexual, expressa em fórmulas da sexuação que o levaram a distinguir o gozo fálico do gozo feminino(mais-gozar).Vale ressaltar que gozo e prazer nãos são sinônimos na psicanálise. O prazer é consciente, é sensação que provoca baixa de tensão; já o gozo é inconsciente e consiste numa manutenção ou aumento de tensão e que atravessa o corpo na formação da subjetivação.

Vou tentar ser simples em resumir conceitos complexos e farei algumas analogias a casos de mulheres que sofrem desse mal-estar na clínica.

Corpo e tensão. Do ponto de vista pulsional algumas pessoas trazem por genética e outros males propensão a Transtornos de Personalidade e Psíquicos: Depressão, TB, Borderline, TAG… essas com certezas são mais vulneráveis a desregulação hormonal e apresentam sintomas nocivos: brigas, falas impensadas, irritabilidade, bater o carro, pedir as contas, atropelar…E vivem uma vida competitiva, com perfeccionismo, autoafirmação e não se rendem ao corpo feminino.

Corpo e paixão a palavra vêm do grego Phatos, paixão é associada a algo assustador e misterioso, que é interno ao homem e o domina, a mulher com TPM é vítima de sua paixão, ou desejo. Desejo esse de ser como o homem ou além dele, de transpor o feminino, de lugar pelo poder, igualdade, emancipação, controle, fama, sucesso, dinheiro e liberdade.

A sociedade ocidental contemporânea é uma sociedade individualista, em que todos queremos ser diferentes, únicos, originais e, ao mesmo tempo, pertencer e sermos reconhecidos como membros de uma comunidade. A TPM cria uma diferença, cria reações contraditórias, autônomas únicas e ao mesmo tempo ocorre apenas entre aquelas que pertencem ao grupo das que vivenciam o ciclo menstrual.

Ser lembrada que é mulher todo mês é uma condição que contorna o desejo feminino e a faz refém de seu corpo e condição.

Foto por Sora Shimazaki em Pexels.com

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Oi! Sou Sônia Augusta, psicóloga pela UniFMU, Pós-Graduada em Arteterapia, Gerontologia e Saúde do Idoso e Acupuntura. Me aperfeiçoei em temas como AT-Atendimento Terapêutico, Saúde Mental em Hospital Geral (Unifesp), Coaching de Emagrecimento, Psicossomática, Biofísica aplicada à Saúde. Sou pesquisadora nas áreas de Medicina Integrativa, Psicanálise, Longevidade, Nutrologia e Medicina Tradicional Chinesa.

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