A verdade sobre os Sonhos

Em 1990 Freud lançou o livro Interpretação dos Sonhos, como tudo, teve interpretações carregadas de tendencias, mas se analisado com crivo científico chegaremos a raiz das funções corretas da Psicologia como Ciência e não exploração metafísica de Merleau-Ponty  ou portas para o esoterismo de Jung.

Analisando do contexto Freud se deparava com uma ciência experimental, uma Psicologia Positiva, também se confrontava com a tradição romântica, uma Filosofia da Natureza, de funda penetração na mentalidade da época que, como fenômeno histórico de longa duração, principia num tempo muito anterior a Freud e nos chega até hoje.

Por volta de 1900, há uma mitologia romântica completamente consolidada, constituída por três pólos – a alma, o inconsciente e a poesia.

Freud teve acesso às fontes dessa mitologia, aliás como todo homem erudito de seu tempo. Em suas referências, encontramos Schubert, Scherner, Goethe, Schiller, Nietzsche entre outros. É claro que a vinculação à ciência estava presente, mas é a dupla vinculação de Freud com o seu tempo que lhe permite, por exemplo, reunir numa mesma frase os nomes de Goethe e Helmholz (1900, p.555) Isso significa que empregar a palavra alma para designar uma realidade mais ampla que o psíquico.

Com efeito, o aparelho anímico não faz referência a neurônios ou a quaisquer outras entidades materiais. Seus referentes são idéias, representações, pensamentos, desejos, sonhos, linguagem. Quer dizer, à materialidade do aparelho, conforme o Projeto de 1895, contrapõe-se a não-materialidade do aparelho tal como surge na Interpretação.

Na Interpretação dos Sonhos, logo no início da parte E do capítulo VII, Freud (1900) fala das dificuldades em expor toda a complexa problemática da “psicologia dos processos oníricos”; ao final do capítulo, Freud escreve:

se olharmos para os desejos inconscientes, reduzidos à sua expressão mais fundamental e verdadeira, teremos de concluir, sem dúvida, que a realidade psíquica é uma forma especial de existência que não deve ser confundida com a realidade material. (1900, p.560).

Tal como está, a frase data de 1919; em 1914, a palavra material foi antecedida pela palavra fatual e, em 1909, apareceu com uma forma que revela a preocupação em dar um estatuto para o psíquico como realidade.

Freud em 1919 (mesma data em que foi acrescentada, na sua forma final, a ideia que conclui o cap.VII), a apresentação de uma noção significativa:

“o sonhar é, em seu conjunto, um exemplo de regressão à condição mais primitiva do sonhador, uma revivescência de sua infância, das moções pulsionais que a dominaram e dos métodos de expressão de que ele dispunha nessa época. Por trás dessa infância do indivíduo é-nos prometida uma imagem da infância filogenética – uma imagem do desenvolvimento da raça humana, do qual o desenvolvimento do indivíduo é, de fato, uma recapitulação abreviada, influenciada pelas circunstâncias fortuitas da vida.”

Se uma pessoa está passando por dificuldades, inseguranças, medos, momentos de decisões…ou possui muita energia mental: TDAH, Crises psicóticas. Transtorno Bipolar…isso afetará a energia onírica, ou seja terá mais sonhos. Freud afirma:

Cremos que, partindo de uma representação-meta, uma determinada quantidade de excitação, que denominamos “energia catexial”, desloca-se pelas vias associativas selecionadas por aquela representação-meta. A cadeia de pensamentos desprezada é aquela que não recebeu essa catexia; a cadeia de pensamento “suprimida” ou “repudiada” é aquela da qual essa catexia foi retirada. Em ambos os casos, elas ficam entregues às suas próprias excitações. (1900, p.539).

SONHO DOS DEPRIMIDOS

A Dra. Rosalind D. Cartwright  psicóloga da Universidade de Cornell em seu livro “The Twenty-Four Hour Mind”, por exemplo, ela aborda a interessante relação entre nossas emoções e o sonho ela destaca uma ideia:” o cérebro tenta por si mesmo nos ajudar a gerenciar todas as nossas emoções negativas através dos sonhos.

A maneira como ele atua é tão fascinante quanto estranha, porque o paciente realmente não percebe que fato de “sonhar” está ajudando de alguma maneira. No entanto, ele tenta através de uma série de mecanismos.

Nos anos 70 já se tinha essa relação entre a “perturbação” ou quão intenso são os sonhos dos deprimidos. O Dr. Aaron Beck, um artigo da Times Magazine de Nova Iorque declarou:

“Beck deveras verificou, como relata em seu livro: ‘Depressão: Causas e Tratamento’, que os sonhos [das pessoas deprimidas] repetiam, noite após noite, os temas constantes de inferioridade, falta de atrativos, privação, incompetência. . . . Beck notou que estas fantasias noturnas, sombrias, eram acompanhadas de um modo igualmente negativo de pensar durante o dia. Por exemplo, uma mulher deprimida cuja amiga se atrasou para um compromisso ficou convicta de que a amiga não se importava mais com ela, que ninguém gostava dela, e que, com efeito, era impossível alguém gostar dela.”

Fase REM e sonhos das pessoas com depressão

Os pacientes com depressão podem experimentar, por exemplo, sonolência diurna e grande dificuldade para dormir à noite.

Quando eles acordam, geralmente percebem um cansaço profundo. Isso ocorre porque o descanso noturno não é reparador, mas pelo contrário: sentem que sua cabeça está “mais cheia”, eles sabem que sonharam muito, mas não conseguem lembrar com clareza sobre o que eram esses sonhos.

O que ocorre, na verdade, é que os pacientes com depressão entram muito antes na fase REM. Além disso, esta fase em que ocorrem os sonhos geralmente dura até 3 vezes mais. Ou seja, as pessoas com depressão sonham o triplo das pessoas sem depressão.

Vale lembrar também que o sono REM é chamado de “sono paradoxal” porque não proporciona descanso; na verdade, é o instante em que geramos um maior nível de adrenalina.

Graças a novos testes de imagem e diagnóstico, também foi possível ver que o sistema límbico, relacionado às emoções, está mais ativo do que nunca na fase REM. Algo que só acontece com os pacientes depressivos.

Infelizmente em todos os aspectos do conhecimento temos uma influencia perniciosa que distorce com mentiras os fatos.

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Oi! Sou Sônia Augusta, psicóloga pela UniFMU, Pós-Graduada em Arteterapia, Gerontologia e Saúde do Idoso e Acupuntura. Me aperfeiçoei em temas como AT-Atendimento Terapêutico, Saúde Mental em Hospital Geral (Unifesp), Coaching de Emagrecimento, Psicossomática, Biofísica aplicada à Saúde. Sou pesquisadora nas áreas de Medicina Integrativa, Psicanálise, Longevidade, Nutrologia e Medicina Tradicional Chinesa.

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