Esquizofrenia – “sempre foi especial”

Antes de apresentar os traços que se manifestam a partir dos 18 anos, 20 e até os 30 anos, as pessoas com Esquizofrenia eram, antes de apresentarem os sintomas da doença,  uma pessoa diferente, inteligente, retraída, detalhista, minuciosa, ciumenta, delicada, geniosa, isolada, fantasiosas, mentirosa…depois surgem os conflitos, medos e impotências, revoltas, suspeitas, raivas, rancores e inimigos quer verdadeiro, íntimos ou projetivos. Alguns da família até achavam encantadores e especiais.

A esquizofrenia possui um forte componente hereditário, mas a interação entre fatores genéticos e ambientais parece ser essencial para seu desenvolvimento.

De acordo com o DSM-V, a esquizofrenia se manifesta através de delírios e/ou alucinações, desvantagem social e ocupacional entre outros sintomas. Conforme Bleuler  (1911) apud Cavalcante (2002;2003), mais uma vez, a esquizofrenia se caracteriza como “mente fendida ou estilhaçada”.

Em 1990 li um livro chamado “ A vida íntima de uma esquizofrênica- Operadores e Coisas, Baraba O,Brien. Essa auto biografia foi comprada no antigo Círculo do Livro kkk

Muito válida. Primeiro capítulo : Esquizofrenia: sob o controle do demônio, ali a autora deixa bem claro como há uma atração para o sobrenatural em pacientes psicóticos e limítrofes. O encantamento e atração com ocultismo como O Brien fala “representaria a autoridade; teria poderes sobre-humanos e a sobrenaturalidade parece plausível e aceitável.” P.5

A técnica psicanalítica tem uma dificuldade com o sujeito psicótico. Já que a dificuldade no estabelecimento da transferência. Existe uma fala em um paciente esquizofrênico, e a questão que se põe ao psicanalista é como interpretar essa fala, que, mais do que em pacientes neuróticos, pode se apresentar por mutismos, gestos, palavras aparentemente soltas e muitos “não ditos”.

Entrar em contato com o estado fragmentado do sujeito psicótico pressupõe entrar em contato com as nossas fragmentações e, mais que tudo, olhar de frente a nossa sensação de impotência diante do sujeito que aparentemente não nos deseja e que nos coloca quase sempre diante de um questionamento – o que você quer de mim – e do que eu quero de você.

 A depressão é uma sintomatologia que vem desde a pré-adolescência geralmente, se encantar por catástrofes, acidentes, 3ª Guerra Mundial, cibernética, biológica, Catástrofe Ecológica.. e horrores são conteúdo do imaginário deles.

[…] uma catástrofe mundial desse tipo não é infrequente durante o estado agitado em outros casos de paranoia […] e essa catástrofe seria […] O fim do mundo e a projeção dessa catástrofe interna (Freud, 1969, p. 77).

As vezes o ambiente em que o paciente cresceu não tenha sido suficientemente bom para que ele se desenvolvesse psiquicamente de forma mais sadia, mesmo que tenha sido apena por um período a crise fica instalada como uma trave e sempre é lembrada, mesmo não pronunciada. Distanciamento da realidade,  dificuldade de dar amor, o Social!!!

A neurose é o resultado de um conflito entre o ego e o id, ao passo que na psicose o desfecho análogo é de um distúrbio semelhante nas relações entre o ego e o mundo externo (Freud, 1969, p. 167).

Eles guardam o amor dentro deles, e isso gera conflito, já que consideram o amor demasiado e precioso demais para descarrega-lo em seus objetos.

De acordo com Laplanche e Pontalis (1992), na esquizofrenia, o pensamento se mostra incoerente, bem como as ações e a afetividade da pessoa com o transtorno, o que se soma a um afastamento da realidade, a um encontro sobre si mesmo e a um contato interno com produções fantasísticas (autismo) e proximidade com manifestações delirantes mais ou menos acentuadas e fundamentalmente mal sistematizadas.

Um ambiente “solto” eles ficam a deriva, quando a direcionamento de expectativas eles se sentem cobrados e com raiva. Na verdade a ausencia e contorno dos psicóticos é o seu maior problema, ou eles pegam modelos de fora(externo e são como todos: tatuagens, livros, filmes, musicas…) ou ficam alienados nas figuras familiares, quando em surto rompem com os dois e querem ser eles, mas são cindidos e não sabem quem são. Se por um acaso resolvem se acharem é um perigo, já que nunca irão se encontrar. O esquizofrênico como tal é o resultado desta comunicação interna conflituosa, as   relações carregadas de ameaças, confusão e imobilização o que o faz não diferenciar o literal do metafórico. 

A maternidade ainda é muito idealizada, e poucos ousam falar sobre esse assunto. Porém sujeitos com buracos psicóticos e os psicóticos a figura materna não possui a percepção da lei que direciona a cultura e todo seu meio; portanto, não a transmite a seu descendente, o que torna esta mãe a própria lei. O apego a elas é exagerado, impiedoso e ambivalente.

De acordo com Aulagnier (1990), há dificuldades nestas mulheres em perceber seus filhos como autônomos e singulares, são resistentes à castração simbólica, fenômeno este o qual o psicótico irá rejeitar plenamente.

O sujeito psicótico se torna um “objeto orgânico”, uma continuação do corpo da mãe, a qual o reconhece como um prolongamento de seu corpo fisiológico, como algo destruidor e mortal que não traz vida. Conforme Birman (1990), o precário reconhecimento do eu-corpo-outro presente no psicótico, devido à falha inicial de sua mãe na transmissão da lei, o tornará possuidor de um corpo não limitado, com fragmentos cujos limites são obscuros.

Existe muita coisas para escrever sobre esse assunto, inclusive como confundem com Transtorno Bipolar, mas finalizo com o sentimento de estranheza que eles carregam no peito e o medo de serem “controlados” é assim que eles geralmente interpretam o cuidado e o amor. Fecho que a minha esquizofrênica preferida: Clarice Lispector

Não me deem fórmulas certas

Porque eu não espero acertar sempre

Não me mostre o que esperam de mim,

Porque vou seguir meu coração!

       Não me façam ser o que não sou,

       Não me convidem a ser igual,

       Porque sinceramente eu sou diferente!

Não sei amar pela metade,

Não sei viver de mentiras

Não sei voar com os pés no chão

            Sou sempre eu mesma,

            Mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE.

Foto por Esma u00d6zer em Pexels.com

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Oi! Sou Sônia Augusta, psicóloga pela UniFMU, Pós-Graduada em Arteterapia, Gerontologia e Saúde do Idoso e Acupuntura. Me aperfeiçoei em temas como AT-Atendimento Terapêutico, Saúde Mental em Hospital Geral (Unifesp), Coaching de Emagrecimento, Psicossomática, Biofísica aplicada à Saúde. Sou pesquisadora nas áreas de Medicina Integrativa, Psicanálise, Longevidade, Nutrologia e Medicina Tradicional Chinesa.

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