A Clínica do Acompanhante Terapêutico

Um dos Cursos que mais gostei de fazer foi o de Acompanhante Terapêutico(AT), já que ele sai para fora da clínica, ele estabelece um tipo de encontro com o social, a ideia é romper com aquilo que mantem algumas estruturas, mais frágeis com sua clausura.

A clínica do Acompanhante Terapêutico não se dá em consultórios e instituições, mas em espaços públicos, na casa dos pacientes e até mesmo nas ruas. É um dispositivo situado no campo da saúde mental que se inscreve no contexto do cotidiano, como define Porto, 2015.

O Trabalho é direcionado para: quem teve crise, ou está em período de fragilidade, saindo de Instituições e com dificuldade de enfrentamento do cotidiano. Já falei da fragilidade do Ego de algumas estruturas, por isso que o adolescente anda em Grupo, porque não tem força de estar sozinho no social, passeio, recreação e na cultura= sociedade.

Atualmente, o AT atende a uma demanda maior do que a psiquiátrica, engajando um profissional que acompanha sujeitos em crise e com problemas sociais, independentemente de sua estrutura psíquica e de sua idade.

A dinâmica do AT é a de uma presença ativa e atenta, que propicia a escuta terapêutica e o cenário transferencial. Busca proporcionar melhor e maior organização na vida dos seus pacientes, sendo uma instância de acolhimento e de sustentação de todos os componentes das relações sociais. O acompanhante terapêutico pode ser visto como alguém próximo o suficiente para entender a situação do outro empaticamente, mantendo, porém, a distância necessária para auxiliar terapeuticamente o seu cliente.

A angústia de fazer uma clínica com pouquíssimos enquadres possibilita que os acompanhantes sejam mais desprendidos de sua técnica, utilizando-a apenas na medida do necessário. Na verdade, a técnica parece ser criada em consonância com as exigências de cada acompanhamento, tornando-a tributária da experiência clínica, e não um conjunto rígido de regras que aprisionem acompanhante e acompanhado em um modelo a ser seguido, sem que a singularidade do que ali aconteça seja levada em consideração. 

Ontem aconteceu algo curioso, costumo caminhar logo somos sou vista pelos vizinhos, a tarde um vizinho veio em casa para pedir para que caminhar com ele, está afastado do trabalho por crise de Pânico e seu diagnóstico ainda não foi definido está entre TAB tipo 1 e Esquizofrenia. Ser uma companhia para sair de uma condição mórbida e oferecer agenciamento de vida é o que o AT faz.

Saraceno (1998) assim descreve essa modalidade terapêutica como uma forma de artesanato da clínica no sentido que ela oferece “possibilidades para permitir ao paciente experimentar a intermitência de seu sofrimento, uma clínica que produza intercâmbio entre os pacientes, enquanto estão sofrendo, com outras pessoas” (p. 30).

Essa clínica, aparentemente tão distante do modelo encontrado em consultórios, só pode se dar a partir do momento em que se leva em conta o lugar do desejo e da subjetividade. Tem objetivos, projeto terapêutico, honorários, início e término dos trabalhos, e a questão da transferência como mola propulsora desse trabalho, visando uma reconstrução da própria existência.

Quando surgiu na metade do século passado foi chamado  “amigo qualificado”  depois mudou de nome segundo  Araújo (2005). O adjetivo Terapêutico tem  a finalidade de tentativa de inserção social, não de cura, é acompanhar ao banco, tarefas simples domestica, assistir filme, ir ao Shopping, clube… estar ao lado, a autoridade clínica passa a ser o saber do paciente.

O AT é um dispositivo clínico bastante presente no processo de reabilitação psicossocial, tendo como um dos seus objetivos o resgate dos vínculos sociais, cidadania e circulação dos portadores de sofrimento mental nos diferentes espaços físicos e sociais.

Para Palombini (2006), acompanhar o usuário é uma forma de implementação da reforma psiquiátrica, uma vez que faz acontecer a desinstitucionalização da loucura, contribuindo para o exercício da autonomia do usuário, de forma que possa assumir, aos poucos, funções na comunidade. Daí ter se tornado uma estratégia de antissegregação e prevenção contra a alienação social.

O AT, no que tange à Psicanálise em Extensão, não é mais do que um modelo primordial de dispositivo clínico.

Trata-se de construir bordas possíveis para o retorno do real!!! Um parceiro(a) como um objeto transacional e uma lugar que perpassa da lógica da clinica, já que é a construção em ambas as clínicas a da neurose e da psicose.

Referencias Bibliográfica(para quem tiver interesse em pesquisar):

Amarante, P. (Org.). (1998). Loucos pela vida A trajetória da Reforma Psiquiátrica no Brasil Rio de Janeiro: Editora Fiocruz.

Andrade, R. D. R. (2005, junho). Discussão x construção do caso clínico. Mental4 .

Araújo, F. (2005, dezembro). Do amigo qualificado à política da amizade. Estilos da Clinica19

Borges, A. (2010, agosto). Elementos mínimos para a construção do caso clínico na prática entre vários. CliniCAPS11

Bursztyn, D. C., & Figueiredo, A. C. (2012, junho). O tratamento do sintoma e a construção do caso na prática coletiva em saúde mental. Tempo psicanalítico, XLIV(1), 131-145.

Dunker, C. I. L. (2011). Estrutura e constituição da clínica psicanalítica: uma arqueologia das práticas de cura, psicoterapia e tratamento São Paulo, SP: Annablume.

Hermann, M.C. Acompanhamento Terapeutico e Psicose-Articulador do Real, Simbólico e Imaginário, São Paulo, UMESP , 2010.

Palombini, A. L. (2006, setembro). Acompanhamento terapêutico: dispositivo clínico-político. Psychê, X(18), 115-127.

Palombini, A. L. (2007). Psicanálise a céu aberto. In Associação Psicanalítica de Porto Alegre – APPOA (Org.), Psicose: aberturas da clínica (pp. 156-175). Porto Alegre, RS: APPOA.

Porto, Maurício. Acompanhamento terapêutico São Paulo: Casa do Psicólogo, 2015.

Saraceno, B. (1998). A concepção de reabilitação psicossocial como referência para as intervenções terapêuticas em Saúde Mental. Revista de Terapia Ocupacional da Universidade de São Paulo, IX(1), 26-31.

Universidade de São Paulo, IX(1), 26-31.

Viganó, P. (1999). A construção do caso clínico. Revista Curinga. Escola Brasileira de Psicanálise, 13, 39-48.

Vorcaro, A. (2010). Psicanálise e método científico: o lugar do caso clínico. In F. Kyrillos Neto, & J. O. Moreira (Orgs.), Pesquisa em psicanálise: uma transmissão na Universidade (pp.11-23). Barbacena, MG: EdUEMG.

Foto por Bas Masseus em Pexels.com

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Oi! Sou Sônia Augusta, psicóloga pela UniFMU, Pós-Graduada em Arteterapia, Gerontologia e Saúde do Idoso e Acupuntura. Me aperfeiçoei em temas como AT-Atendimento Terapêutico, Saúde Mental em Hospital Geral (Unifesp), Coaching de Emagrecimento, Psicossomática, Biofísica aplicada à Saúde. Sou pesquisadora nas áreas de Medicina Integrativa, Psicanálise, Longevidade, Nutrologia e Medicina Tradicional Chinesa.

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