Com as correntes da Psicologia atual, ou os cursinhos rápidos para ajudar as pessoas a serem terapeutas usando perguntas assertivas e uma lógica mental e racional escapa um estudo profundo e estruturante do ser humano. Precisamos do conceito do Complexo de Édipo em pleno 2025? O mundo Líquido, amorfo e sem limites se ofende com norteamentos, parâmetros e determinismos. Vou de modo bem simplificado explicar sobre o Complexo de Édipo e sua importância para todos aqueles que querem arranhar no conhecimento do ser humano.
Lévi-Strauss analisou o mito do Édipo, e disse que Ele coloca o sujeito frente à dimensão espaço-sociocultural, uma vez que, para obter boa resolução, o mito deve operar e resolver a contradição natureza x cultura. Como todas as sociedades humanas normatizadas e regulamentadas são consideradas em estado de cultura (inclusive as sociedades ditas primitivas), foi preciso conseguir identificar, por meio de todas essas culturas, o substrato comum ao conjunto dos homens, do qual se diria então constituir seu estado de natureza. Isso porque foi em tribos primitivas da Papua Nova Guiné que Freud escreveu essa teoria. Bom tentarei sem sucinta.
O Complexo de Édipo é um termo psicanalítico criado para explicar o vínculo triangular entre mãe, pai e filho, ele usou esse termo em sua teoria de estágios psicossexuais do desenvolvimento ou teoria da sexualidade.
Para a psicanálise, a sexualidade não é apenas sexo, mas é um complexo abrangente de toda a vida psíquica, em constante movimento no indivíduo e na cultura. Evidencia-se no desenvolvimento, praticas cotidianas, os gostos, as decisões e os comportamentos A fluidez da sexualidade provoca desarranjos nas ilusões de continuidade e estabilidade tanto da identidade quanto da vida afetiva.
O Complexo de Édipo é dividido em 3 tempos:
O primeiro diz respeito ao momento inicial, em que a criança está muito ligada à mãe, enxergando-a como um espelho e extensão do próprio corpo, e se reconhece como o único objeto de desejo dela — fantasiando um desejo incestuoso pela mãe.
Já no segundo tempo, Freud explica que o pai se torna presente como uma figura proibidora, tanto das atividades cotidianas desenvolvidas pela criança quanto da sua fantasia de desejo pela mãe. Aqui, é muito comum discursos como “cuidado que seu pai pode brigar com você” e “vou chamar o seu pai para conversar com você”, normalmente proferidos pela mãe. Mas infelizmente tem mães que não introduzem os pais, não os anunciam e essa falha gera alienação com a mãe, o que explica casos de autismo entre outras falhas no comportamento; Narcisismo entre outros.
Quando a criança atinge uma maturidade um pouco mais desenvolvida, o pai aparece como uma figura de castração. Toma como referência o falo, não como uma castração via pênis, mas como referência ao pai, cuja função é mediatizadora da relação da criança com a mãe e da mãe com a criança. A partir da lei da proibição do incesto é que se pode estabelecer o limite entre o natural e o cultural, e a ordem edípica pode, legitimamente, se apresentar como o substrato universal que designa a dimensão do natural no homem, permitindo ao sujeito o acesso ao registro do simbólico, ou seja, o acesso à cultura, gerado pela expressão de uma falta.
Nessa medida, demonstra como a criança se tornará sujeito a partir da operação da metáfora paterna e de seu mecanismo, o recalque originário, que se desenvolve com base numa substituição significante, na qual um significante novo tomará o lugar do significante originário do desejo da mãe que, recalcado em benefício do novo, vai se tornar inconsciente, o que significa que a criança renunciou a seu objeto inaugural de desejo.
Por ser simbólica, é possível operar a função paterna como uma metáfora. Tomando-se o significado de metáfora como um significante que vem no lugar de um outro significante, o nome-do-pai entra em substituição ao falo como objeto de desejo da mãe.
É nessa terceira fase, a Fálica, que contribuiria para o desenvolvimento de uma identidade sexual madura e independente.
Teve uma fase a uns 30 e poucos anos, acho que influenciadas por alguma novela algumas mulheres falavam: “Quero ter uma produção independente” referindo-se a ter filhos sem pai. Será que tem problema não finalizar essas etapas do Complexo do Édipo?
Como fica pessoas sem Lei? O que a ausência de limites está provocando na sociedade? Crimes, desonestidade, mentiras, corrupção, traições, perversões. competição, ciumes doentio, sadismo, latrocínio, assassinatos, agressões… o mundo simbólico a Função Paterna, ou Metáfora Paterna, ou o Nome do Pai vem para isso, conter o mundo pulsional, uma vez que a natureza humana é inclinada para o erro, pecado original o qual somos descendentes.
E o Pai humano também é responsável com nossa relação com o Pai Supremo, sim hoje não se tem Deus introduzido, ele é repudiado, distante e inalcançável por muitos. A ausência de lei paterna afeta a concepção espiritual, já que não tem nada dentro(simbolizado) regendo a vidas das pessoas. Participar de rituais e práticas repetidas e institucionalizadas, rezas decoradas… não castra o comportamento das pessoas. Volto ao tema do texto anterior:
A relação da contemporaneidade com a psicose ordinária. Nossa sociedade hipermoderna, em decorrência do enfraquecimento do Nome-do-Pai, testemunhamos a falência dos ideais e de um significante-mestre na sua função organizadora.
Se, antes, a existência da função mítica do Pai, enquanto exceção à castração, propiciava a consistência de um conjunto de todos sujeitos castrados, hoje vivemos a era da multiplicidade, das variadas formas de gozo e do enxame de significantes-mestre. As pessoas pegam semelhantes, pessoas tão desnorteadas quanto elas, para ditarem o que é certo ou errado: especialistas, influnciadores, filósofos, cientistas. Google. IA, Site de Buscas…


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