COMO EXPLICAR ALGUMAS DECISÕES QUE AS PESSOAS TOMAM NA VIDA?

‘A psicanálise ainda é a visão da mente mais intelectualmente satisfatória e coerente.’ – Eric R. Kandel (Prêmio Nobel de Medicina, 2000)

Desde de que o mundo é mundo a pessoas tentam justificar seus erros e falhas, culpando outros e omitindo seus defeitos. Adão culpou ao Criador do Universo quando foi cobrado por comer do fruto proibido: “ A mulher que me deste para estar comigo, foi ela que me deu do fruto da árvore, por isso comi.” Ele era mais velho que ela e mais experiente, não teria ele autonomia para  recusar? Movido pela emoção, e não pela razão levou junto com sua esposa a humanidade a destituição do Paraiso original.

As emoções atrapalham em nossas decisões? SIM. A psicanálise explica o comportamento, entre muitas teorias,  através da Teoria Pulsional.

A pulsão nunca poderá ser objeto da consciência e mesmo no inconsciente só poderá ser representado por uma ideia, dizia Freud. Tem o papel de ser a chama propulsora da vida em todos os seres vivos, um estímulo sobre a mente, derivado de uma necessidade que a obriga a trabalhar para fazer cessar ou diminuir a excitação mediante uma ação organizada sobre o mundo externo e não apenas a uma descarga fisiológica.

Tem pessoas que quando estão nervosas, tensas ou frustradas vão; limpar ou organizam suas casas, outras vão correr, outras vão beber e se drogar, outras vão ver pornografia, outras vão comer, andar de carro a mais de 120 km…viajar, procurar parceiros sexuais ou ter sexo casual…dormir, se cortar…

É observado no ser humano por meio de suas representações psíquicas, aquilo que teve acesso na infância e meio determinará saídas pulsionais. O núcleo da mente seria então formado pelos representantes da pulsão, quota de afeto e representação ou ideia, que darão origem ao afeto e ao pensamento.

Inicialmente classificadas em pulsões de autopreservação (pulsões do ego) e pulsões sexuais (libido), o estudo do narcisismo mostrou que também atuavam no ego (autoerótico) e, posteriormente, buscariam satisfação ligando-se aos objetos. Já as pulsões de autopreservação, de início dependentes do objeto, aos poucos iriam tornando-se mais independentes deste.

Mais adiante, vendo a libido como uma energia comum a ambas as classes de pulsão (de autopreservação e sexuais), Freud englobou as duas como uma única Pulsão de Vida. Concebeu a dualidade, com a Pulsão de Morte, a partir da tendência de todo ser vivo a um retorno à sua condição inorgânica.

Convencido da origem sexual da mente, Freud, a princípio, não via o trauma como consequência de abusos sexuais sofridos, mas outro tipo de trauma acabou se evidenciando com os estudos sobre o narcisismo: o trauma da ferida narcísica sofrido pelo ego. Quer dizer, a princípio, a pulsão sexual é imune a traumas por ser autoerótica, o que não ocorre com as pulsões de autopreservação. Estas são vulneráveis à frustração e ao desprazer traumático para o ego ainda imaturo, que com a repetição de falhas em sua relação de dependência com o objeto poderá ter o seu desenvolvimento prejudicado, ferido narcisicamente.

A estrutura afetiva da mente humana seria formada pelos registros mnêmicos de percepções de vivências afetivas dos primórdios da vida, quando as sensações de prazer e desprazer ocupavam todo o psiquismo, correspondendo a uma fase de ego corporal (quando o papel do ego psíquico é desempenhado pelo objeto na preservação da vida). Com o amadurecimento do organismo, as quotas de afeto primitivo irão se proliferar em traços mnêmicos ou representações, criando circuitos associativos – chamados de colaterais por Freud no “Projeto para uma psicologia científica”, 1895/1987 desenvolvendo as estruturas ideativas. Aos poucos as estruturas ideativas prevalecerão sobre as afetivas desenvolvendo o ego psíquico e, com ele, o processo secundário que diminuirá a necessidade de descarga da energia pulsional.

Isso quer disser que a dor emocional, frustração, dificuldades de comunicação, obstáculos, raiva, inveja, medo…movimentariam a pessoas com Ego imaturo a fugirem, Pessoas que mudam muito de empregos, profissão, cidades, comunidades…enquanto que outros mesmo com dificuldades enfrentarão, permanecerão e serão mais estáveis e coerentes.

Conheci um rapaz que custou entrar em uma Universidade Federal, anos a fio labutou intensamente no Curso muito difícil e complexo desta conceituada Universidade Brasileira, depois de 2 anos de conclusão do curso foi para um país de primeiro mundo ter um trabalho braçal. Isso é coerente?  

Na psicologia, a intersubjetividade é vista como um processo fundamental no desenvolvimento humano. A falta de diálogo interno, as fragilidades do Self, o distanciamento de um eixo de contínuo contato com o Ser Interior levam pessoas a serem envolvidas, influenciadas e contaminadas por ideias que são antagônicas,  que fragmentam as emoções e a personalidade, contudo intelectualmente são interpretadas como  saídas plausíveis, “liberdade” ao invés do  enfrentamento da vida.

Hoje temos um proposições eufêmicas, românticas que disfarçam as lacunas das pessoas. Principalmente pessoas com problemas no  córtex pré-frontal, parte do cérebro encarregado dos processos executivos, da tomada de decisões e de diferentes aspectos relacionados com a regulação das emoções e controle dos Impulsos, necessitam de muitos conselhos sincero de pessoas maduras para tomarem decisões(TDAH, Transtorno Bipolar e Borderline).

Caso contrário a vida será fragmentada, cheia de mudanças, e ideias aparentemente melhores, porém são escapes de uma mente medrosa, fragilizada e orgulhosa.

Não é Destino, nem Deus e nem chamado ou muito menos opção, o que algumas pessoas não conseguem enxergar que suas decisões são : FUGAS. Dependendo do comprometimento: TAB e Trantorno Borderline do Real(realidade).

Bion propõe uma equivalência entre a intolerância à frustração e a intolerância às emoções dolorosas e, como fuga, além do recalque, sugere mecanismos psíquicos de ataque aos vínculos, ao próprio pensamento ou às funções egóicas que visam o contato consciente com a realidade dolorosa, o que assume extrema importância psicopatológica, já que o grau de patologia mental está diretamente relacionado com os tipos e intensidades de defesas que o ego se utiliza para negar o sofrimento mental.

Alguns contornam os desafios da vida. Isso bem mais típicos para personalidades ansiosas, depressivas e fronteiriças.

O que a mídia, filmes, romances, comerciais, novelas, contos, personagens, artistas, influenciadores, músicas, folclore, mitos… falam e pregam não é referência.

Sempre irei dizer isso, o mundo é perverso, já que é dominado por um “ar” influencia perversa e mentirosa, o acting-out é elogiado e aceito como sendo natural e bom. Vemos que o agir no acting-out se engendra diante daquilo que resta de uma certeza para o sujeito, mostrando que há nele um desejo de ser, de mostrar-se e de firmar-se como verdade.

Na psicanálise o acting-out funcionaria tal como na encenação fantasmática, a qual constitui-se como a resposta que o sujeito inventa diante da falta no Outro. Em outras palavras, o acting-out estaria constituído como uma espécie de atualização da fantasia.

Frequentemente, o acting-out que surge como um tipo de evitação da angústia é relatado como conduta ou comportamento. O  modelo de acting-out geralmente  caracteriza a personalidade de pacientes que se manifestam por meio de um conjunto de fenômenos marcados pela impulsão.

Quando a pessoas passam a terem um debate lúcido, aberto e silencioso com os próprios conceitos e paradigmas, questionar suas próprias ‘verdades’, dogmas, preconceitos, visão de vida…elas dão um salto para o amadurecimento e acertos. O que ajuda muito é falar, diálogo aberto com a pessoas e tentar resolver ou mostrar o caminho para resoluções e não evitar o que incomoda.  Quem não realiza esse autodiálogo, subjetividade, não corrige suas rotas, não revisa suas loucuras, não recicla suas falsas crenças, enfim, preserva suas mazelas psíquicas nos porões de sua mente. Poderá ir para qualquer lugar do mundo sem conserto.

Foto por Josh Sorenson em Pexels.com

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Oi! Sou Sônia Augusta, psicóloga pela UniFMU, Pós-Graduada em Arteterapia, Gerontologia e Saúde do Idoso e Acupuntura. Me aperfeiçoei em temas como AT-Atendimento Terapêutico, Saúde Mental em Hospital Geral (Unifesp), Coaching de Emagrecimento, Psicossomática, Biofísica aplicada à Saúde. Sou pesquisadora nas áreas de Medicina Integrativa, Psicanálise, Longevidade, Nutrologia e Medicina Tradicional Chinesa.

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