A junção desses dois transtornos é o que mais traz sofrimento aos pacientes. A mudança de humor é o que mais afeta já que a falta de autoridade sobre seu dia a dia são guiados por emoções instáveis, as dificuldade são principalmente no que diz respeito ao autocontrole e à autorregulação.
Um tem tempos de oscilação maior e mais contornado, determinação, foco, persistência, teimosia, paixões(causas humanitárias, infantis, supérflua…), contudo quando os traços Borderlines estão juntos isso é evidenciado na dificuldade com a realidade e frustrações.
Desde a infância a constatação do real é permeada de fantasia, ser princesa ou ser tratada como uma conseguindo tudo o que queria, dentro de seu contexto: brinquedos, viagens, animais, passeios, objetos, quarto rosa, coleções… e neste mundo delirante o “mundo encantado da Disney” não ajudou muito essas crianças que até entrarem no papel da má, bruxa…estará valendo na vida adulta para se conseguirem suas imposições.
Um transtorno serpenteia o outro em relação ao Objeto(conceito da psicanálise que aponta para o inalcançável; um excedente do gozo que se relaciona com a angústia, a falta, o fantasma, o desejo e o outro). A oscilação é extrema e as flutuações são radicais, a vida pulsional e afetiva assim como da organização do self evidenciam sofrimento intenso.
Quando falo Self trata-se de dificuldade de ter uma personalidade original sempre é contaminado e influenciado de modo intenso por quem está conectado, amigos, grupo, colegas. ambiente em que se insere. Mudanças de corte de cabelo, cor, tatuagens, lazer, musica, roupas, interesses…acompanha fácil modismo e tendencias, sem questionamento, incorpora fácil crenças sem profundidade e questionamento(inocência). Costumo chamar de ‘pele fina’, muita sensibilidade quer a ambiente bons ou ruins.
As oscilações de “humor” manifestam-se na forte propensão a turbulência emocional, impulsividade, no descontrole e na violência afetiva e pulsional, mas há uma organização relativa.
A inconstância Objetal é onde o problema aparece:
O Objeto(curso, profissão, emprego, grupo, pessoa intima…) ou esta é sentida como presente em excesso ou está é sentido como ausente em excesso: ora muito próxima, ora muito distante, ora “inesquecível”, ora subitamente esquecido; na verdade, mais que uma mera oscilação, o que se pode verificar pela sobreposição e concomitância das posições de objeto.
Em um eixo, o Objeto ora é sentido como muito “alto”- muito elevado e superior- ora ele é sentido como muito “baixo”- muito inferior e degradado, ora muito bom , ora muito mau, sendo que o bom e o mau tem sempre seus poderes e valores potencializados, ficando o objeto submetido a idealizações positivas e negativas extremas, como ocorre no outro eixo, não se trata apenas de alternância, mas de simultaneidade contraditória e ambivalência.
Quanto a imagem que o border, funcionamento afetivo e emocional, já que a Bipolaridade fica mais nas distância das crises, auto-invalidações e força de pensamento, com um self borderline observa-se manifestações de um self grandioso e abrangente e depois em face de dor psíquica e frustração um self se reduz e enfraquece, as vezes fica quase inexistente(em forte crise), uma construção meio delirante para mascarar e evitar a experiencia de falta e de vazio.
Ou ‘ tudo ou nada’ é um recurso emocional de gangorrra como se a vida fosse uma montanha russa, e é aceito assim, como sendo ‘passagem’, ‘viagem’, ‘intensa’, hedonista e arriscada. Alguns autores já denominaram de “histérica malignas” , a sedução e libido ficam á deriva do desejo e da conquista.
Como a origem deste padrão indelimitado veio da cena primária, estamos falando de fantasia e libido, nesta vinculação inaugural precária, a elaboração da realidade é sempre um grande desafio. Quando a organização Bipolar esta junto com a Borderline serão maiores as experiencias de contornos da realidade, obtendo conquistas acadêmicas e profissionais, porem no mundo erótico as dificuldades são muitas.
O excesso de ambivalência, falta de identidade sexual, defesas primárias, e as angustias de aniquilamento sempre estarão á espreita a qualquer decepção ou contrariedade do desejo.
A polaridade em ambos transtornos evidenciam um mundo interno triangular, multifacetado onde se articula exclusão e inclusão, diferenças e continuidade, o intrassubjetivo e o intersubjetivo também podem se articular, realidade interna e realidade externa conservam-se em suas diferenças, sem contudo, perderem contato uma com a outra. Mas quando exclusão e diferença, de um lado, se opem a, de outro, inclusão e continuidade, os dois polos passam a significar ameaças de aniquilamento.
O que seria uma fase de forte crise, o sujeito fica no caos: angústia de separação(em que a inclusão e continuidade promovem o desespero0 e a angustia de engolfamento (situação mental onde as vivencias são de grande fragilidades, de compressão e de esvaziamento produzidos por elevado grau de desvinculação como o ser profundo) são resultantes desta ausência de espaço interno que deveria ter sido formado pela internalização do vínculo parental fecundo.
Neste caso o sujeito apresenta perigo a si mesmo(risco de suicídio), a internação é a melhor intervenção. A “realidade” que não encontra espaço e tempo interno para a sua instalação como “objeto real”, para ele e para os outros será necessariamente excessiva, traumática, incompreensível, fantasmagórica, sedutora e persecutória, significando eventualmente uma ameaça de aniquilamento.


Deixe um comentário