A Psicoterapia tem poder para mudar a  Estrutura do Cérebro?

A resposta é SIM.

Nas últimas décadas os ataques aos psicólogos e principalmente aos psicanalista é enorme, por parte de cursos reducionistas, simplistas, raso e medíocres(sem Conselho de classe, código ético, reconhecimento pelo MEC…), assim como por parte de alguns Psiquiatras.

As psicoterapias reconhecidas possuem o mesmo valor terapêutico no campo da saúde e relevância cientifica que os tratamentos medicamentosos e intervencionistas.

A neurociência investiga o conceito chamado de neuroplasticidade ou plasticidade neuronal como sendo a capacidade do cérebro se reorganizar e se adaptar ao longo da vida , mediante diferentes experiencias pelo qual a pessoa é submetida.

A Psicoterapia promove um cenário favorável a aprendizagem e a mudança de comportamento humano , e está alterando também as funções neurofisiológicas.

Importante sintetizar os principais modelos psicoterapêuticos estudados que objetivam identificar, reflexionar, tratar problemas de ordem emocional, cognitiva e comportamental, modificando-os.

Condioli,A.V.,Grevel E.H. Psicoterapias: abordagens atuais. 4 ed-Porto Alegre:Artmed,2019:

“ O Modelo psicanalítico, criado por Freud, que leva em conta o determinismo dos conflitos psíquicos inconscientes e dos mecanismos e defesa do ego sobre os sintomas mentais e a conduta humana;o modelo comportamental, que foca as formas de comportamento aprendido e condicionado de Pavlov, Watson, Skinner, Wolpe e Bandura; modelo cognitivo desenvolvido por Ellis e Aaron Beck; que enfatiza o papel de cognições disfuncionais como fator responsável pelos sintomas depressivos e ansiosos; modelo existencial/humanista/centrado na pessoa, de Carl Rogers, Victor Frankl, que fundamentado na fenomenologia e no existencialismo, propõe que o sofrimento humano decorre da perda de significado existencial; modelo dos fatores comuns ou não específicos, proposto por Jerome Frank, que preconiza que a boa relação, a empatia e o calor humano com o paciente são suficientes para melhorar os sintomas; modelo dos fatores biopsicossociais, proposto originalmente por George Engel(1913-1999), que preconiza que fatores biológicos, psicológicos e sociais determinam todas as doenças mentais e que fundamentou intervenções específicas para os diferentes fatores, como a terapia interpessoal, a terapia familiar e a terapia de grupo.”

As psicoterapias  cientificas trazem benefícios emocionais, mas também efeitos profundos e mensuráveis no cérebro. Estudos científicos recentes revelam que a psicoterapia pode alterar a forma como o cérebro processa informações, regula emoções e lida com o estresse.

Pesquisas científicas, como as realizadas por neuroscientistas da Universidade de Harvard, mostram que a psicoterapia pode induzir mudanças nas redes neurais do cérebro, especialmente em áreas relacionadas ao processamento emocional e à regulação do estresse. A terapia foi associada a mudanças no córtex pré-frontal, a região responsável pelo controle executivo, planejamento e tomada de decisões.

A Terapia tem sido especialmente eficaz no tratamento de transtornos como ansiedade e depressão. Estudos de neuroimagem, como os realizados por pesquisadores da Universidade de Yale, demonstram que a terapia pode aumentar a conectividade entre o córtex pré-frontal e a amígdala, uma área do cérebro relacionada às emoções e ao medo. Esse fortalecimento das conexões ajuda os pacientes a regular melhor suas respostas emocionais e a lidar com pensamentos disfuncionais.

Um estudo importante realizado por pesquisadores da Universidade de Pittsburgh investigou os efeitos da psicoterapia na depressão. Usando ressonância magnética funcional (fMRI), eles observaram que, após a psicoterapia, pacientes com depressão apresentaram uma redução na atividade da amígdala que é uma área do cérebro frequentemente hiperativa em pessoas deprimidas. Ao mesmo tempo, o córtex pré-frontal se mostrou mais ativo, sugerindo que os pacientes estavam aprendendo a regular suas emoções de forma mais eficaz.

Essas descoberta sugere que a psicoterapia pode ajudar a “reconfigurar” os padrões de atividade cerebral associados à depressão, proporcionando um alívio dos sintomas e uma melhora na qualidade de vida. Essas mudanças podem ser observadas a longo prazo, com os benefícios da terapia persistindo mesmo após o fim do tratamento.

Assim, o vínculo emocional com o terapeuta, aliado ao exercício reflexivo e simbólico, transforma-se em gatilho para processos neurobiológicos de reorganização do funcionamento psíquico.

As descobertas sobre a relação entre psicoterapia e neuroplasticidade têm profundo impacto na prática clínica. No tratamento de transtornos como depressão, ansiedade e traumas psíquicos, a psicoterapia produz efeitos mensuráveis tanto nos sintomas quanto na atividade cerebral.

Em casos mais complexos, como os transtornos de personalidade, observa-se uma reestruturação mais lenta, porém possível, de circuitos cerebrais associados à autoimagem, impulsividade e mentalização. Essas evidências consolidam a psicoterapia como uma intervenção estruturante e duradoura, capaz de oferecer ao sujeito novos caminhos de existência e novos modos de experimentar a realidade.

A PSICOTERAPIA  não é apenas um espaço de escuta e expressão emocional; é uma experiência relacional e cognitiva suficientemente intensa para reconfigurar o próprio funcionamento cerebral.

Ao estimular a neuroplasticidade, ela transforma circuitos rígidos, reprograma respostas emocionais desadaptadas e promove a emergência de novas formas de ser.

Com base nos achados das neurociências, pode-se afirmar que a psicoterapia realiza uma verdadeira alquimia entre a subjetividade e a biologia, entre o simbólico e o concreto.

Tal constatação exige do profissional de saúde mental não apenas técnica e escuta, mas a consciência de que cada palavra escutada e cada silêncio acolhido podem ter ressonâncias nas entranhas do sistema nervoso do paciente. Assim, curar pelo discurso é, também, tocar o cérebro com palavras.

Referencias:

ABRISQUETA-GOMEZ, Jacqueline. Reabilitação neuropsicológica: Abordagem interdisciplinar e modelos conceituais na prática clínica. São Paulo: Pearson, 2018.​

BARSAGLINI A. Sartori G. BenettiS, Pettersson-yeo W, Mechelli A. The effects of psychotherapy on brain function: a systematic and critiacal reviem. Prog Neurobiol. 2014:114:1-4.

BEDESCHI, Cynthia. Os 10 pilares da neuroplasticidade: Cérebro em transformação. São Paulo: Independente, 2020.​

COSENZA, Ramon M.; GUERRA, Leonor B. Neurociência e educação: Como o cérebro aprende. Porto Alegre: Artmed, 2011.​

DOIDGE, Norman. O cérebro cura: As extraordinárias descobertas da neuroplasticidade e como estão a ser usadas terapeuticamente. Lisboa: Lua de Papel, 2016.​

DOIDGE, Norman. O cérebro que se transforma: Como a neurociência pode curar as pessoas. Rio de Janeiro: Record, 2015.

FONSECA, Vitor da. Cognição, neuropsicologia e aprendizagem: Abordagem neuropsicológica e psicopedagógica. São Paulo: Artes Médicas, 2014.​

LENT, Roberto. O cérebro aprendiz: Neuroplasticidade e educação. Rio de Janeiro: Atheneu, 2018.​

RIBEIRO, Sidarta. O oráculo da noite: A história e a ciência do sonho. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.​

SEABRA, Alessandra Gotuzo; DIAS, Natália Martins; CAPOVILLA, Fernando C. Avaliação neuropsicológica cognitiva: Atenção e funções executivas – Volume 1. São Paulo: Memnon, 2012.​

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Oi! Sou Sônia Augusta, psicóloga pela UniFMU, Pós-Graduada em Arteterapia, Gerontologia e Saúde do Idoso e Acupuntura. Me aperfeiçoei em temas como AT-Atendimento Terapêutico, Saúde Mental em Hospital Geral (Unifesp), Coaching de Emagrecimento, Psicossomática, Biofísica aplicada à Saúde. Sou pesquisadora nas áreas de Medicina Integrativa, Psicanálise, Longevidade, Nutrologia e Medicina Tradicional Chinesa.

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