Transtorno Mental na Família

Segundo a constatação confirmada pela OPA e OMS(2001, p51) uma a cada quatro famílias encontrava pelo menos, uma pessoa que sofria  de transtorno mental.

Quer dados mais atuais? Aproximadamente uma a cada oito pessoas no mundo convive com algum tipo de transtorno mental, segundo dados divulgados em um relatório da Organização Mundial da Saúde, 2023 (OMS). E como as famílias são afetadas?!

Isso gera muita sobrecarga a família, que geralmente os problemas começam na adolescência com os problemas adaptativos: muita ansiedade, depressão e isolamento social.

Os estudos mostraram que o sofrimento mental do adolescente afetou negativamente os pais, manifestando-se em sentimentos como surpresa, perplexidade, confusão, tristeza, culpa, impotência, preocupação, ansiedade, medo, dúvida e desamparo. As vezes aquela criancinha alegre, brilhante, esperta e inteligente na adolescência se transforma e todas as expectativas se frustram. Nesta idade que começa a manifestação de Transtornos: 14 aos 22 anos geralmente.

Isso resultou em baixos níveis de autoeficácia e altos níveis de bloqueio emocional nos pais, contribuindo para a piora dos sintomas dos adolescentes e dificultando a sua reabilitação. Minha experiencia com adolescentes geralmente é a mãe que identifica primeiro e o pai nega, uma das situações mais embaraçosas é dar algum diagnóstico, já fui ameaçada por alguns pais.

O sofrimento desses  pais refletem a preocupação com o futuro do adolescente relacionada ao desempenho acadêmico, autonomia financeira, condições de saúde e às tentativas de suicídio, autolesão e episódios agressivos. O sentimento de culpa foi associado à crença de que as dificuldades de seus filhos estavam relacionadas às suas inabilidades parentais.

Isso para aqueles que conseguem diagnóstico, já que em muitos casos os próprios pais também possuem transtornos e ignoram o tratamento, visto que eles levam a vida em pleno altos e baixos, viajando de cidade em cidade, trocando de casa como se troca de roupa, só vivem endividados, com brigas e conflitos entre eles, e um lar caótico onde não se sabe quem é mais perturbado- os filhos ou os pais.

A rotina domestica em um lar com alguém com transtorno mental é diferente, tem restrição das atividades sociais, as dificuldades quanto as reações emocionais com o inoperável e as dificuldades econômicas até as dificuldades de administrar a discriminação e o estigma que se fazem presentes quase invariavelmente em todas as sociedades em relação a doença mental.

Por vezes as relações familiares se tornam doentes, já que essa convivência afeta a dinâmica da casa.

As famílias que não buscam apoio familiar, alguns pais expulsam os filhos drogados, viciados em jogos, sem atividade remunerada e com impotência, o que acontece é que alguns pais partem e vão embora: outras cidades ou um do outro, e abandonam a família e deixam os filhos problemáticos, por vezes “rebelde”. A fala, “vou ficar longe assim sofro menos” é muito comum.  

Deixando a sorte, ou para um relacionamento que essa pessoa possa ter: o namorado(a) ou companheiro(a) que “descasque o abacaxi”, por assim dizer, a família lava as mãos para alguém sustentar e cuidar dessa pessoa impotente diante dos desafios de ser um adulto nessa sociedade.

O esforço de reconhecer, lutar para a adesão ao tratamento, e acolher a impotência deste membro é desgastante.

Dentre os medos relatados pelos familiares, destacou-se o temor da recaída de transtornos mais graves como a psicose e esquizofrenia,  ou comportamentos de autoagressão e até suicídio; esses medos resultaram em um estado constante de hipervigilância por parte dos pais e dos irmãos de outros membros associados a família.

Quando a família é uniparental piora a situação, ou quando o pai ou a mãe ignora(geralmente esses são também possuem transtorno).

A sensação de desamparo com a dificuldade de cuidar do filho(a) sem o apoio do outro progenitor e o sentimento de impotência diante do sofrimento psíquico dos filhos, cuja gravidade parecia excessiva. Essa situação gera incerteza sobre a rigidez necessária na educação e imposição de limites, impactando a qualidade das decisões, reações e observação de limites no convívio familiar.

Não há dúvida que o Transtorno Mental potencializa as dificuldades das famílias atualmente, aglutinar forças para esse manejo vai precisar de muita abertura para rede de apoio: associações da doença especifica: Grupos para Familiares,

Importante investir em Qualidade de Vida dos membros para não sejam contagiados com o afundamento e decadência de um dos membros, busca de apoio profissional para persistir nesta batalha. E principalmente tirar a culpa dos ombros, pois infelizmente muitos são sucumbidos pelos fatores genéticos, exemplo Transtorno Bipolar mais de 50% fatores hereditários.

A presença do transtorno mental exige que os familiares desenvolvam competências para enfrentar adversidades, manter conexões e relacionamentos, e interagir com serviços de saúde e a sociedade. Os profissionais de saúde mental precisam estarem preparados para o suporte e acolhimento nos momentos considerados críticos. 

Referências:

Barimbing MA, Yueniwati Y, Supriati L. Family atmosphere make family resilience which have adolescent with mental disorder (according to “Resilience” Theory of Haase & Peterson). Int. J. Nurs. Educ. 2019; 11(3):86-91.

Rossi LM, Cid MFB. Adolescents, mental health and crisis: the story told by relatives. Cad. Bras. Ter. Ocup. 2019; 27(4):734-42.

Norvoll R, Hem MH, Lindemann H. Family members’ existential and moral dilemmas with coercion in mental healthcare. Qual Health Res. 2018; 28(6):900-15. 

Liu N, Zhang J. Experiences of caregivers of family member with schizophrenia in China: A qualitative study. Perspect Psychiatr Care [Internet]. 2020 [cited 2023 Jun. 10]; 56(1):201-12.

Foto por Ahnaf Abror em Pexels.com

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Oi! Sou Sônia Augusta, psicóloga pela UniFMU, Pós-Graduada em Arteterapia, Gerontologia e Saúde do Idoso e Acupuntura. Me aperfeiçoei em temas como AT-Atendimento Terapêutico, Saúde Mental em Hospital Geral (Unifesp), Coaching de Emagrecimento, Psicossomática, Biofísica aplicada à Saúde. Sou pesquisadora nas áreas de Medicina Integrativa, Psicanálise, Longevidade, Nutrologia e Medicina Tradicional Chinesa.

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