Suicídio: pensar em acabar com tudo

O suicídio é uma questão complexa que envolve várias dimensões, incluindo fatores psicológicos, sociais, econômicos e culturais. Em 2024, as estatísticas de suicídio são um reflexo das circunstâncias atuais, que incluem a crescente pressão social, estresse causado pela pandemia, questões de saúde mental e o uso de substâncias.

Diante de dados tão alarmantes, nós psicólogos devemos estar preparados para receber em nossos atendimentos clínicos pessoas que já tentaram e/ou pensaram sobre isso.

Podemos considerar que existem “estágios” no desenvolvimento da intenção suicida, iniciando-se, geralmente, com a imaginação ou a contemplação dessa ideia. Em seguida, ocorre o desenvolvimento de um plano de como se matar que pode ser implementado por meios de ensaios realísticos ou imaginários e por fim, a ação destrutiva concreta. Contudo, não podemos esquecer que o resultado de um ato suicida depende de uma variedade de fatores e nem sempre envolve um planejamento.

Em geral, paciente com ideação suicida apresentam algumas características, são elas:

Ambivalência: querem a morte e também querem viver. Isso acontece porque ao mesmo tempo em que há sofrimento psíquico há também outros fatores na vida do indivíduo que o trazem satisfação e motivação para viver. Essa é a condição que nos permite trabalhar a prevenção do suicídio. Para cada morte, estima-se que ocorram entre 10 e 30 tentativas. A ideação suicida, definida como pensar, considerar ou planejar o suicídio, é o processo que precede quase todas as tentativas. Ela pode se manifestar de forma ativa, quando há identificação de método, elaboração de plano ou intenção de agir, ou de forma passiva, sem plano ou intenção explícita. Além disso, a ideação varia em intensidade, considerando fatores como frequência, duração e grau de controle dos pensamentos

Impulsividade: como qualquer outro impulso, o impulso de cometer suicídio pode ser transitório e durar alguns minutos ou horas e normalmente são desencadeados por eventos negativos do dia-a-dia. Entre 30% e 50% dos brasileiros portadores de  TRANSTORNO BIPOLAR tentam suicídio. Essa é a estimativa sustentada pela ABTB (Associação Brasileira de Transtorno Bipolar). De acordo com a entidade, dos que tentam se matar, 20% conseguem o objetivo. “De todas as doenças e de todos os transtornos, o bipolar é o que mais causa suicídios”, alerta a presidente da ABTB, Ângela Scippa.

Rigidez/Constrição: os pensamentos passam a ser dicotômicos, do tipo tudo ou nada, ou seja, a pessoa tem seus pensamentos, sentimentos e comportamentos restritos ao suicídio, tendo boa parte do seu tempo tomado por esse funcionamento e restringindo a solução do que ocorre ao suicídio, não sendo capaz de perceber outras maneiras de solucionar o problema. São pensamentos rígidos e drásticos. Mobilização, quando a pessoa está tomada pela Pulsão de Morte, deixou de se cuidar, come ou bebe muito(além de outras drogas)…sem perspectiva, sem força, apoio, amigos, compreensão…

Sentimentos de depressão, desesperança, desamparo e desespero.

A maioria das pessoas com ideias de morte comunica seus pensamentos e intenções, frequentemente dão sinais e fazem comentários sobre querer morrer, sentimento de não valer nada e etc. Esses pedidos de ajuda não podem ser ignorados.

Lacan propõe uma ética que se baseia na fidelidade ao próprio desejo, sem ceder a ele de forma destrutiva. Essa distinção é crucial para compreender como a psicanálise pode oferecer uma abordagem singular ao tema do suicídio, que não se limita ao julgamento ou à condenação, mas busca entender as profundas raízes psíquicas desse ato.

 A ética, em Lacan, não é uma simples observância de normas externas, mas um compromisso interno com o desejo e a verdade subjetiva do indivíduo. Nesse sentido o conceito de desejo como uma força que impulsiona o sujeito e que, quando reprimido ou negado, pode levar a estados de angústia intensa.

Essa angústia, segundo Lacan, está intrinsecamente ligada ao ato suicida, que pode ser visto como uma tentativa desesperada de escapar de uma situação insustentável de sofrimento.

O Seminário, livro 10 A angústia (1962-63) e o Seminário, livro 15 O ato psicanalítico (1967-68), considera-se o suicídio circunscrito por Lacan aos parâmetros do ato pela conceituação de passagem ao ato e acting out.

A hipótese de uma teoria freudiana do suicídio, firmada sobre os pilares conceituais de ato e melancolia, tem como eixo aquilo que escapa ao que é da ordem do representável e que se apresenta como um insuportável.

Assim, recorre-se a Lacan com o objetivo de aprofundar esta problemática defendendo uma continuidade teórica entre a teoria freudiana do suicídio e a conceituação de passagem ao ato e acting out desde a asserção do Objeto a. Este insuportável que perpassa a teoria freudiana do suicídio como da ordem de um irrepresentável encontra na conceituação lacaniana de Objeto a um articulador(vazio e insatisfação constante). Este objeto como protagonista é definidor de uma temporalidade em que são diferenciados o momento do ato, do triunfo do a, e o depois em que o Outro se espraia como horizonte e onde o sujeito se reposiciona.

O Código de Ética do Psicólogo prevê a quebra do sigilo quando se constata a possibilidade desse ato. Avisar parentes ou amigos é a intervenção correta.

Foto por cottonbro studio em Pexels.com

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Oi! Sou Sônia Augusta, psicóloga pela UniFMU, Pós-Graduada em Arteterapia, Gerontologia e Saúde do Idoso e Acupuntura. Me aperfeiçoei em temas como AT-Atendimento Terapêutico, Saúde Mental em Hospital Geral (Unifesp), Coaching de Emagrecimento, Psicossomática, Biofísica aplicada à Saúde. Sou pesquisadora nas áreas de Medicina Integrativa, Psicanálise, Longevidade, Nutrologia e Medicina Tradicional Chinesa.

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