Tenho profunda admiração e carinho por André Green, ele foi ímpar. Ele perambulou, por assim dizer, nas principais Escolas Psicanalíticas.
Ele foi um médico que mais lia livros de Psicologia e Psicanalise do que de Medicina, por isso tornou-se Psiquiatra, ele não queria reducionismos teóricos,
Green disse em sua autobiografia que havia sido designado como “o homem do afeto”, já que percebia o afeto como sinal biologicamente genético programado e destinado a favorecer a adaptação ao ambiente social, quanto um simples aprendizado cognitivo adquirido ao longo das interações precoses.
Na obra de 1973 Discurso Vivo ele retomou a metapsicologia do Afeto de Freud a fim de demonstrar seu ugar essencial e reintegrar o afeto no aparelho psíquico e representativo, assim como na pratica do tratamento e no interior da linguagem
Para ele o Afeto permaneceu como guia essencial para a justeza das interpretações. Essa foi a marca dele, trazer o afeto como sendo fundamental principalmente nos casos-limites ou além da neurose.
A clínica do Vazio questiona o silencio do analista, já que o mutismo e a neutralidade mortificada é angustiante para algumas estruturas além do cuidado com o enquadre; Sobre mãe morta e seus estados ele traz pontos dolorosos, kleinianos, sobe a mãe fálica, mãe negra…a importância desde o ventre e cuidados na primeira infância na vida das pessoas(pré-edipico), Na psicanalise aplicada ele diz sobre o teatro, a escrita, a criação e a sublimação. E como grande debatedor das ideologias ele fala sobre análise com crianças, ciência, cognitivismo entre outros debates.
Por isso, o modelo teórico implícito comporta a elaboração de um modelo teórico e clínico pessoal, ao mesmo tempo freudiano e original, que articula uma renovação do método psicanalítico, uma expansão do campo clínico e uma reformulação dos fundamentos metapsicológicos.
Partindo de um notável interesse pelos desafios da clínica nos limites da analisabilidade, delineia-se uma identidade freudiana de base e um pensamento plural que vai se enriquecendo com as influências de “seus” autores pós-freudianos (Lacan, Winnicott e Bion) e também devido ao intercâmbio com seus contemporâneos (especialmente com seus colegas do movimento pós-lacaniano, como Laplanche, Pontalis, Aulagnier, Anzieu, etc.). Surge então um estilo que sintetiza paixão clínica e pensamento complexo.
André Green buscava aprofundar-se na compreensão da vida emocional primitiva, os processos iniciais de constituição do psiquismo, e a questão dos afetos, com o intuito de trazer subsídios para sua atividade clínica. Esse interesse, propiciou a Green envolver-se com temáticas que relacionam os processos iniciais da constituição do psiquismo e as patologias daí decorrentes.
Seu pensamento é frutífero no que diz respeito ao diálogo estabelecido com diferentes correntes e escolas psicanalíticas, e na interlocução com autores da atualidade, possibilitando-nos avançar nas questões colocadas pela clínica contemporânea, acompanhar seu desenvolvimento, e reconhecer ainda assim, suas bases freudianas no que remete à necessária metapsicologia. É na chave de leitura freudiana que Green lê seus mestres, cria e desenvolve seu pensamento singular.
A partir de 2000, o autor de “O pensamento clínico” produziu, como nunca antes, numerosos trabalhos de conceitualização dos fundamentos da técnica e da clínica: acerca da contratransferência, do processo, da interpretação, e especialmente, do enquadre entre uma fração variável e uma fração constante.
Green assim como eu defendo a posição DIALÓGICA.
Diante do mutismo (de cunho lacaniano) e da tradução simultânea (de inspiração kleiniana), a matriz dialógica do método volta a ser valorizada e aprofundada.
A noção de diálogo analítico ganha um destaque conceitual, e não apenas descritivo. Em ambos os casos n psicanálise ou psicoterapia pode-se dizer que o objetivo é semelhante: a constituição ou o desdobramento de um enquadre interno (ou interiorização do enquadre), mediante o qual o núcleo dialógico (intersubjetivo) da análise se transforma em uma matriz intrapsíquica reflexiva.
Green teve coragem de desafiar, argumentar e construir. Ele não negou o Pai- O fundador da Psicologia e Psicanalise e nem se envolveu com: drogas, transe e possessões, misticismo, nunca surtou e nem teve o percurso de alguns colegas. Ele estudou, averiguou e aprimorou.
O envolvimento com estudiosos com alguns amigos: Henri Ey e Jacques Lacan, não o afastou de estudar Klein, procurar e se debruçar nas obras de Winnicott e Bion e o mergulho em suas teorias, foi essa cede de respostas não fizeram de Green um estudante passivo, ele não aceitada tudo como sendo verdade absoluta. Não tinha uma fé cega.
Ao contrário, seu pensamento crítico e voracidade investigativa, o colocou em franca verificação clínica e metapsicologica dos conceitos para, ao longo do tempo, discutir, confirmar ou mesmo refutar aquilo que aprendeu de seus mestres e contemporâneos. Bases que fortalecem e orientam sua obra, hoje reconhecida como um dos pilares para o pensamento da psicanálise e da clínica atual.
Uma das coisas que mais me decepcionam com os novos profissionais da saúde mental, é a busca pronta de protocolos(catálogos), o estreitamento do comportamento em métodos e síntese instrumental fragmentada. Como se lida estreitamente com o profundo, confuso, complicado, obscuro e pessoal com descrições e catálogos?
Um dos desafios atuais é um mundo diferente, fragmentado, fluido, emocional, esfacelado e isso requer grandes doses de paixão clínica e pensamento complexo.
É nessa esteira que André Green (1927-2012) se constitui como um importante pensador da psicanálise contemporânea, tendo contribuído de forma bastante original para seu desenvolvimento, apresentando, ao longo de seu percurso, uma obra reconhecida em sua densidade e relevância.
Se alguém está descontente sou sem resultado na clínica, só tem uma saída. ESTUDE e como fez Green tenha AFETO. A se você esqueceu o que é isso irei lembrar:
“O AFETO é um conceito fundamental na psicologia que se refere às emoções positivas que sentimos em relação a outras pessoas. Ele abrange sentimentos como amor, carinho, amizade e empatia, sendo essencial para a construção de relacionamentos saudáveis e para o bem-estar emocional.”


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