Não são poucos os casos clínicos onde aparece como o tema central o narcisismo. E as “vítimas” dos narcisistas, já que não é apenas homens que possuem esse traço, falam ingenuamente: “Como eu não percebi?!” Na verdade percebeu sim, contudo subestimou. As pessoas assim logo no início dos relacionamentos impões condições e o predomínio de seus desejos sobre o Outro.
Para Freud em Introdução ao Narcisismo (1914) pg 36 ele diz que a escolha do Narcisista ocorre assim, olha quem eles vão amar:
- O que ele mesmo é(a si mesmo)- alguém bem parecido, alvos, carreira, ambições…
- O que ela mesma foi – quem tem traços ou mesma origem, algo que se identifique com ele.
- O eu ele mesmo é – Se vê neste que elege, digno de estar ao seu lado.
- O que ele mesmo gostaria de ser – Alguém que admira, que tem coisas que ele não possui e admira, deseja ter em si o que o outro é, ou traços de personalidade, status, profissão, sensibilidade, torna-se o troféu.
- A pessoa que foi parte dela mesma– quem ele ajudou ou “construiu” ex-discípulo, funcionário, aluno…
Mas não importa como foi feito as escolhas todos precisam obedecer e é essa a condição: ser admirado, controlar e estar no poder. Mesmo parecendo bonzinhos, brilhantes, amorosos, atenciosos tudo isso é parcial.
Quem os conhece e quem está no íntimo, perto, morando junto, a família imediata. Pois são esses que percebem a superficialidade, dificuldade de intimidade, afetividade e autenticidade, uma vez que eles convivem com a solidão e sensação de vazio.
A primeira vez que li sobre esse tema Narcisismo foi de um livro do antigo ‘Circulo do Livro’ kkk e comprei em 1986: Narcisismo: negação do verdadeiro self de Alexander Lowen. Para Lowen que o narcisismo “indica uma perturbação da personalidade caracterizada por um investimento exagerado na imagem da própria pessoa à custa do self […]” (LOWEN, 1983, p. 9).
Desse modo, ao dissociarem o ego do corpo ou self, os narcisistas separam a consciência do seu alicerce vivo.
Em vez de funcionar como um todo integrado, a personalidade é dividida em duas partes: um “eu” (o ego) ativo e observador, com o qual o indivíduo se identifica, e um objeto passivo, observado (o corpo) (LOWEN, 1983, p. 36). Logo, o narcisismo, associado diretamente com o autoerotismo, vale-se da convergência do instinto sexual sobre o próprio corpo, de modo que “a libido retirada do mundo externo foi dirigida ao Eu, de modo a surgir uma conduta que podemos chamar de narcisismo.” (FREUD, 2010, p. 98).
Os psiquiatras que antes de Freud falaram do tema sempre levavam em consideração isso, o autoerotismo, ou, masturbação, como sendo satisfatória, uma vez que se bastam, e a energia deles está convertida a eles mesmos. O que aconteceu para eles serem assim?
“Isso significa o seguinte o desenvolvimento libidinal sofreu perturbação, […], descobrimos que não escolhem seu posterior objeto de amor segundo o modelo da mãe, mas conforme o de sua própria pessoa. Claramente buscam a si mesmas como objeto amoroso, evidenciando o tipo de escolha de objeto que chamaremos de narcísico […] (FREUD, 2010, Introdução ao Narcisismo p. 22).
O narcisista acha que se basta, ele decide se amar(mesmo negando isso), ele se masturba ele sente prazer consigo mesmo, ele se admira, acha que é bom no que faz . Carência de admiração, já que todos precisam gostar o que vem nele: imagem, inteligência, esperteza, consecuções, títulos, poder e aquisições, Os que ele escolhe são peças da cena (espetáculo), ou o servem ou complementam suas necessidades(relação objetal). Quer sempre provar que é: bom, especial, diferente e superior aos mortais.
Os portadores de transtorno de personalidade narcisista são sensíveis à crítica, sentindo-se com frequência menosprezados, tratados injustamente e sem a necessária consideração. Isto por vezes implica em um recolhimento rancoroso, com uma atitude de falsa modéstia e fantasias de redenção pelo reconhecimento de suas qualidades, ou pelo poder de revidar frustrações passadas, interpretadas como graves humilhações.
Sobre o movimento de investir energia libidinal tanto no Eu, quanto nos objetos do mundo externo, faz-se importante para entendermos, que a saúde do sujeito é preservada, considerando que, quando tal energia é armazenada, o sujeito sente como um mal-estar, devido ao aumento da tensão, criando assim a necessidade de investir a energia em objetos o que para Freud (1914/2010): “(…) surge quando o investimento do Eu com libido superou uma determinada medida. Um forte egoísmo protege contra o adoecimento, mas afinal é preciso começar a amar, para não adoecer, quando, devido à frustração, não se pode amar” (FREUD, 1914/2010, p.29).
O narcisismo pode converter-se em um quadro patológico, quando torna-se excessivo e descontrolado, alterando, dessa forma, as condutas dos indivíduos frente às questões éticas e culturais, além de prejudicar seu relacionamento interpessoal. As patologias narcísicas são pautadas pelo mecanismo da clivagem mais do que pela recalcamento.
O Narcisista investe sua força, ou libido, tanto em Si Mesmo(corpo e beleza) quando em Objetos Externo: cultura, coisas, viagens, dinheiro e tudo mais que o Mundo oferece. Toda essas conquistas não os deixam mais amigos e próximos de suas famílias, amigos e semelhantes. Como são refratários aos sentimentos profundos ele se esbarram na dificuldade da vida e nas relações uma vez que tem na personalidade 3 traços nocivos para a felicidade e para as relações: Ódio, Orgulho e Ciúmes.
Christopher Lasch em seu livro A cultura do Narcisismo considera que não apenas a cultura ocidental contemporânea estimula o narcisismo, mas também a própria cultura é narcisista, por isso que como as pessoas estão dentro da cultura o narcisismo se exprime no individuo como personalidade. Ou seja, a humanidade está perdida kkk se for nas referencias externas. Com isso proporciona o aparecimento da melancolia, então toda a tristeza e depressão que se expressa em tudo é sinal deste traço.
Narcisismo SOCIAL
Nossa sociedade é improfícua no que tange a elevação do Ser Humano, visto estar distante da essência e exaltar traços individualistas, hedonistas, egoísta e solitários.
E as pessoas lindas, mulheres com bocas e fases moldadas pela harmonização, homens com corpos “sarados” ou simplesmente bem vestidos perambulando em espaços públicos e sociais e vivendo no íntimo profunda solidão e carência afetiva. Outro dia perguntei a uma pessoa muito bem sucedida profissionalmente; Você tem amigos? Geralmente a resposta é NÃO.
Nossa sociedade alimenta o gosto pelo efêmero. Esse gosto indica que passado e futuro não são referencias psicológicas e sociais predominantes. Odeiam história(raiz), arqueologia(evidencias), psicanalise(a base)… tudo que remete ao passado, desvalorizam o passado.
Dificuldade em simbolizar, não conseguem lidar com o ausente, por isso da dificuldade de lidar com o Luto. Temos desencadeada uma dificuldade de lidar com o tempo, negam a velhice, por isso da depressão e melancolia. A incapacidade de atar laços com o passado e como futuro coloca a sociedade e os indivíduos na mesma condição de Narciso- Incapaz de amadurecer.
O ‘AR’ que temos no social é Narcisista, o Deus deste mundo é assim, pura imagem. Esconde sua real intenção, ciumenta e invejosa e quer atrai para ele a atenção e prestígio que nem lhe pertence. É mentiroso e enganador, mas finge ser Luz.


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