Vivemos em uma sociedade na sociedade do Espetáculo, onde o fascínio, sonhos e desejos são incentivados a todo o custo. Ambição é confundido com ganancia, e alguns trazem consigo traços nítidos de Delírio de Grandeza, contudo é camuflado por: otimismo, estratégia e empreendorismo arriscado…
O que estamos falando é que temos no Brasil mais de 10 milhões de pessoas com Transtorno Bipolar, e apensas metade está diagnosticado ou fazem tratamento à risca.
O resto está por aí literalmente “quebrando a cara” e influenciando pessoas, com tentativas profissionais que fracassam, estudantes que chegam no auge de premiações e que depois ficam 6 meses em casa desempregados e “cherando cocaína” “bebendo” “com a cara em séries e outros vícios”, outros abrindo empresas e nunca se estabilizando, mas agregando dívidas faraônicas, outros pegando dinheiro e investimentos de pessoas ingênuas(que acreditam na ‘lábia’, entregam seus recursos) e perdem…eles se apresentam assim: resgatadores, importantes, inteligentes, pioneiros, únicos e maravilhosos donos da “lâmpada mágica” com a crenças de poder ou de importância exageradas, mas que a realidade evidencia impotência e furos abismais na personalidade ou nos Resultados(no caso Profissional = Empregabilidade, Empresários = Lucro/Dinheiro, na Saúde Mental = Equilíbrio, Espiritualidade= Contentamento/Paz).
O termo DELìRIO surge no século XVI, originado da palavra latina lira, que significa sulco (do arado). Logo, de-liro, surge como aquilo que está fora do sulco, fora do caminho reto da razão.
Muito sutil que vem como conversa “mole”, mentira, “papo”, “bons argumentos” , mas como Lacan disse na ‘desrazão’, a psicanálise consegue identificar o delírio de grandeza. É uma crença fixa e irreal de ser especial, poderoso ou superior que é muito comum nas psicoses como a esquizofrenia e principalmente no estado de Hipomania e Mania do Transtorno Bipolar.
E que surge como uma tentativa de compensar uma ferida profunda na personalidade ou um vazio existencial, estamos falando de uma defesa contra a angústia do real, onde o sujeito se constrói com um “eu” inflado (grandioso) para não se desintegrar, diferentemente do narcisismo, que busca validação externa, porque o delírio de grandeza é uma ficção interna e auto-suficiente. A pessoa fala normalmente e de modo natural coisas e crenças de poder, valor e ‘brilho especial”, ou exclusivo, se vende muito bem e se auto aprecia com importância exagerada. Isso em vários contextos: Comunicação, Lazer, Saúde Mental, TI, Comércio…
O que quero dizer é que temos pessoas que são delirantes, contudo poucas são reconhecidas ou até mesmo identificadas.
A abordagem freudiana em torno do delírio foi fundamental para apreender o delírio enquanto um fenômeno estruturado, tendo uma função para o sujeito. Com a construção delirante, tentativa de cura, o sujeito pode se localizar no mundo, por meio de uma organização significante, ainda que não partilhada. A verdade transmitida pelo sujeito pelo delírio, que Freud denomina verdade histórica,
O indivíduo delirante está em sua conversa, discurso, tentando:
Compensação de um Déficit: O delírio surge como uma resposta a uma desorganização psíquica, uma “ferida” ou “furo” no sujeito, buscando preencher um vazio.
Construção de um “Eu” Ideal: O indivíduo se identifica com figuras de poder ou cria um “eu” onipotente (rico, famoso, poderoso) para se estabilizar.
Desconexão do Real: A crença é inabalável e ignora evidências contrárias, uma tentativa de organizar o mundo a partir de uma certeza absoluta.
Sintoma Psicótico: É um sintoma central na psicose (esquizofrenia, bipolaridade), manifestando-se como uma alucinação sobre a própria identidade.
Diferença do Narcisismo: O narcisista precisa do olhar do outro para se sentir grande; o psicótico com delírio de grandeza está fixado em sua própria visão, retirando-se para seu mundo interno para se proteger, como no caso de Schreber (mencionado por Freud).
Então temos o Delírio como:
Busca por Organização: É uma tentativa de criar uma ordem e sentido para o sujeito diante do caos interno, uma “fuga” ou “cura” para a angústia.
Uma “Ficção” do Sujeito: O delírio é uma construção ficcional que tenta dar conta de um real impossível de ser simbolizado, uma “janela” para o sujeito que sofre.
Isso significa que para o leigo eles levam créditos, mesmo sendo ‘perdidos’, desesperados e sem direção, mas inventam histórias de recuperação rápida, enriquecimento faraônico, dono de soluções maravilhosas, educadores do mundo…, porém a escuta do delírio não é interpretação mas só um tentativa do sujeito se organizar.
Se você confiar em pessoas assim, CUIDADO será decepção na certa. Impressionante é eles não portam crachás e nem plaquinha sobre a cabeça escrito (Sou DELIRANTE- CUIDADO), mas aparecem como sendo “Os Mais e os Melhores. Primeiros” …

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