Essa pergunta foi feita por um colega em um simpático áudio a algumas semanas atrás, reverberou. Seria injusto não falar sobre esse brilhante Psicanalista.
Ele atravessou 2 Guerras Mundiais, o que por si só já é um grande mérito. Alistou-se no exército aos 19 e saiu após a Primeira Guerra para ingressar na universidade de Oxford. Estudou História, Filosofia, Teologia e licenciou-se em Letras. Após entrar em contato com as obras de Freud, resolveu cursar medicina e formou-se aos 33 anos. Bion começou a estudar psicanálise, sendo supervisionado por Melanie Klein.
Em contato com de Melanie Klein, Donald Winnicott e Herbert Rosenfeld, Bion iniciou suas próprias teorias. Isso ajudou a elevar seu nome na comunidade psicanalítica e alçar seu nome ao posto de presidente da Associação do país, Inglaterra.
E na Segunda Guerra marca sua entrada como Psiquiatra. Por meio dessas experiencias, Bion ajudou milhares de soldados a lidarem com os horrores da guerra enquanto formulava o seu trabalho. Na Segunda Guerra Mundial, dedicou bastante tempo na análise de grupos e essa experiência lhe rendeu algumas obras, Intra-group tensions in therapy, Leaderless group Project e Group dynamics: a review. Bion, ingressou na Sociedade Britânica de Psicanálise e foi presidente da associação entre os anos de 1956 e 1962.
É de suma importância teorias que ajudem o Manejo de Psicose e estado limites: estresse pós traumático, surtos e crises estamos falando de fragilidades de instancias psíquicas. Essas fragilidades constitucionais, contém medos arcaicos, ego e consciência frágeis, fuga da realidade alguns conceitos apoiam: isolamento. introspectiva e apoio de desejos, ao meu ver caminho longo e avesso ao resgate do lado saudável de cada indivíduo. É no social que se instala e ressurge o individuo, enfrentando e dando aporte para o Real.
A Psicanálise hoje tem um grande problema: a Clínica das Psicoses. Ela vem procurando a mais de um século compreender as características de pacientes que ocupam com grande frequência os espaços clínicos atuais, predominantemente marcados pelo uso de mecanismos dissociativos, conferindo à situação de análise contemporânea a denominação de clínica do vazio (Lisondo, 2004).
Neste sentido a clínica psicanalítica alberga atualmente muitos pacientes que estabelecem vínculos precários e frágeis, de contato preeminentemente lógico e quase nunca emocionais, com relações marcadas pela ambiguidade e pelo des-ligamento (Marques, 2004).
A mente, que na contemporaneidade trabalha de forma semelhante a um órgão de descarga, é incapaz de discernimento e coerência compartilhada, e fica alienada da capacidade de experimentar a sensação de verdade (Grinberg, 1973).
Nesse cenário, a dinâmica psíquica dos pacientes atuais revela-se intolerante inclusive na perspectiva do tempo, em que se torna imediatista, além de severa com a ausência, a falta, o limite e a criação. Estes mecanismos dissociativos distorcem a autenticidade do self, traduzidos na clínica pelos sentimentos de irrealidade, futilidade e esvaziamento de sentido apresentados pelos pacientes.
A compreensão de funcionamento psíquico apresentado por Bion pode contribuir para pensar sobre o sofrimento contemporâneo, que, em graus distintos, expressa-se com consideráveis distorções de importantes funções da mente.
As proposições teóricas e clínicas bionianas oferecem um conhecimento suficiente para discriminar o sofrimento provindo da substituição da capacidade de pensamento pelo uso da onipotência, da troca da possibilidade de aprender com a experiência pela onisciência e da adoção da prepotência para evitar o reconhecimento da dependência e fragilidade humana, além dos constantes estados de confusão e ambiguidade, constituindo novos mecanismos de defesa para existir no mundo (Bion, 1991a, Zimerman 2004a, 2004b).
O aporte teórico psicanalítico de Freud e Klein, através da intersecção entre sua prática analítica e sua produção teórica, compreendeu que a mente comporta estados psíquicos distintos, isto é, funciona multidimensionalmente, podendo apresentar um funcionamento tanto opositor e contraditório quanto em compasso dinâmico entre as partes da personalidade.
Esse autor costura uma relação com a proposição freudiana de que o impulso de vida e o impulso de morte concorrem no mesmo ato e sentido. Do mesmo modo, assenta sua compreensão no movimento oscilatório que ocorre entre as posições esquizoparanoide e depressiva, propostas por Melaine Klein (Bion, 1991a, Zimerman, 1999, 2004a).
Não gosto de alguns teóricos(por conhecer seus erros), mas infelizmente hoje prevalece a mentira e o pouco esforço para estudos profundos, já falei neste blog sobre o efeito manada. O que quero dizer é que infelizmente em todos os setores do saber e da vida encontramos dois caminhos: a verdade e a mentira. Bion está o lado do bem kkkk Em 2003 li um livro marcante que me impressionou muito sobre esse teórico, minha ânsia era imensa:
O que mais me impressionou foi que Bion ter reconhecido o interjogo entre estados neuróticos e psicóticos, entre aspectos adultos e infantis e entre elementos sadios e patológicos; interjogo que configura um fluxo dinâmico em uma mesma personalidade e caracteriza a mente como um universo multidimensional.
Assim, nas palavras do próprio Bion (1991a):
(…) pacientes doentes o bastante para digamos, serem declarados psicóticos, contém, em sua psique, uma parte não psicótica da personalidade – uma presa para vários mecanismos neuróticos com os quais a psicanálise nos tem familiarizado – e uma parte psicótica da personalidade, que predomina a tal ponto que a parte não-psicótica da personalidade, com a qual coexiste em justaposição negativa, fica obscurecida (p. 72).
Logo depois Bion (1991a) continua:
Além disso, considero que isso se mantém verdadeiro no caso do neurótico grave, em quem acredito que exista uma personalidade psicótica oculta pela neurose – assim como, no psicótico, a personalidade neurótica é encoberta pela psicose – que tem de ser revelada e tratada (p. 83)
Isso significa que enquanto a parte psicótica opera sob o sistema de defesa da cisão e identificação projetiva, a outra parte da personalidade, sob o funcionamento neurótico, emprega a repressão para dar conta dos conflitos do ego. Isso significa, conforme explica Grinberg (1973), que a parte psicótica da personalidade coloca no mundo real o que a parte não psicótica reprimiu, caracterizando a dinâmica e a multidimensionalidade da mente.
Bion (1994b) explica o funcionamento cindido da personalidade como um sistema de dupla imaginária: enquanto uma parte da personalidade se relaciona com elementos arcaicos do próprio paciente, a outra trancafia seus processos intrapsíquicos e lança mão do uso maciço de identificações projetivas. Pela incapacidade de tolerar realidades psíquicas internas que coexistam em si, esta nega não só a realidade interna, mas também a realidade externa.
Importante falar que os Psicanalistas que traçaram teorias e estudos sólidos e confiáveis para o manejo de Psicose e Estados Limites(fronteiriços), Ele está neste grupo, junto com: Melanie Klein, Sandro Ferenczi, Winnicott e Lacan. Debruçaram em experiencias, conceitos, anotações, observações e foram catalogados de forma: técnica, rigorosa e exata(não por uma possessão).
A influência de Bion no pensamento psicanalítico contemporâneo é evidente em sua capacidade de integrar teorias psicanalíticas consagradas com uma visão científica e segura. Ser popular não significa ser o melhor ou o certo.
Referencia:
Bion, W. R. (1991a). Diferenciação entre a personalidade psicótica e a personalidade não-psicótica. In E. B. Spillius. Melanie Klein Hoje: desenvolvimentos da teoria e da técnica (pp. 69-86). (B. H. Mandelbaum, Trad.). Rio de Janeiro: Imago. v.1. (Original publicado em 1957).
Bion, W. R. (1991b). Ataques ao elo de ligação. In: E. B. Spillius. Melanie Klein Hoje: desenvolvimentos da teoria e da técnica (pp. 95-109). (B. H. Mandelbaum, Trad.). Rio de Janeiro: Imago. v.1. (Original publicado em 1959)
Bion, W. R. (1994b). O Gêmeo Imaginário. In: W. R. Bion. Estudos Psicanalíticos Revisados (pp. 11-32). (W. M. M. Dantas, Trad.). Rio de Janeiro: Imago. (Original publicado em 1967)
Grinberg, L. (1973). Introdução às idéias de Bion. (T. O. Brito, Trad.). Rio de Janeiro: Imago.
Lisondo, A. B. D. de. (2004). Cultura do vazio: patologias do vazio. Revista Brasileira de Psicanálise, 38(2), p. 335-358.
Marques, T. H. T. (2004). Conjecturando a expressão dos estados mentais primitivos na relação analítica. Revista Brasileira de Psicanálise, 38(4), 867-883
Zimerman, D. E. (2004a). Bion da teoria à prática: uma leitura didática. 2. ed. Porto Alegre: ArtMed.
Zimerman, D. E. (2004b). Psicoses. Pacientes borderline. A parte psicótica da personalidade. In: D. E. Zimerman. Manual de técnica psicanalítica: uma re-visão. (pp. 243 252). Porto Alegre: ArtMed


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