Ontem recebi pelo Whatsapp a pergunta que se repete a décadas:” Você atende TCC?!” respondo NÃO com base Psicanalítica. Na sequência: “Como é?” Tentarei explicar melhor.
Não é pelo viés psiquiátrico e nem das neurociências. É a ciência mais perseguida e perturbadora, já que investiga a constituição do Sujeito, no nascer do Ser, se foi falado antes de nascer ou se foi um “acidente”, como é a subjetividade do útero que foi abrigado, como foi o colo que o acolheu, o ambiente quem foi criado e os vínculos primários.
Analisamos a pessoa em seu percurso de vida, não apensa o recorte da crise. Percebemos forças dentro da pessoa e como essas pulsões: vida e morte vem marcando e desde de sua infância, se manifestou na adolescência e nas escolhas, decisões e relacionamentos da vida adulta.
Acreditamos que as fronteiras internas, ocorrem com a introjeção de um eixo chamado Lei do Pai por Lacan e Castração por Freud e quando as criancinhas colocam dentro delas uma interdição elas se estruturam bem, com inibições de desejos nocivos.
O oposto é verdadeiro quando essas fronteiras internas vacilam por falta de elementos norteadores a adolescência é controversa, errante, violenta, transgressora e o sujeito rompe com a família por vícios, excessos e delinquência, gravidez… e vai marcando e trazendo traumas e inconsequências. É nessa fase que vem surgem as Depressões, Ansiedade e Pânico como alerta de problemas adaptativos futuros.
Para nós é a partir de ‘dentro’ que os limites que definem para duas realidades, ou seja, a realidade externa e a realidade do próprio Eu. O senso de realidade se mantém quando as fronteiras externas e internas do Eu são investidas pulsionalmente de modo equilibrado(seguro e firme) e assim sustentadas, a pessoa tem mais resistência ao estresse e consegue boas elaborações em situações de conflitos, pressão e crises.
Sabemos que alguns perdem a coesão do Self, outros vivem a melancolia e lutam contra o desânimo profundo e penosos com mascaras sociais e seus percursos são cheio de excessos: intelectuais, profissionais e ideológicos. Temos um culto pelas exterioridades, o imperativo da exaltação do Eu, Corpo e do Prazer.
Assistimos a falha na constituição do Imaginário se refletindo no corpo: Hipocondrias, Psicossomático, Anorexias, Bulimias, Dismorfia, Vigorexia e na terceira idade a dificuldade de aceitação do envelhecimento e a devoção a estética.
E quando falha a instancia Simbólica o reflexo é no social. Identificamos os fronteiriços, não com testes, nem abalizando metricamente e com escalas o cognitivo, abstrato, numérico, cultural.. mas escutando o funcionamento mental, o comportamento, os afetos e os relacionamentos.
Percebemos estruturas marcadas pelas instabilidades, vazios, crises, angustias e rejeições de uma dificuldade de permanecer, de enfrentamento e se fixar no social(Real), já que a inclusão tem exigências e o seio social supõe igualdade e alguns são excluídos e reclusos em seu íntimo.
Notamos que os Indivíduo que são regulados pelo Complexo de Édipo são considerados Neuróticos e são os mais adaptados, repressão não é tortura é sanidade. Enquanto que outros são soltos e vão pulsionalmente indo em busca do Gozo, na oposição a vertente dos conflitos, ligado ao desejo e à fantasias inconscientes.
Com eufemismo a horizontalidade, eles omitem o medo do profundo e dos vínculos, são na verdade são um “saco sem fundo”, insatisfeitos e sem perspectiva.
Os psicanalistas enxergam o que ninguém quer olhar, a natureza e a estrutura(base) das pessoas.


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