Autismo e seus desafios

O surgimento do termo e do movimento de ” neurodiversidade” na virada do século XXI, foi cunhado pela ,socióloga e portadora da síndrome de Asperger , Judy Singer em 1999 em um texto com o sugestivo título de “ Por que você não pode ser normal uma vez na sua vida?

A Síndrome de Asperger, antes considerada um transtorno separado, desde 2013 integra o diagnóstico único do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Atualmente, ela corresponde ao TEA nível 1 de suporte, caracterizado por indivíduos com linguagem preservada, inteligência média ou acima da média, mas com dificuldades sociais, comportamentais além de dificuldades em manter relacionamentos; e padrões restritos e repetitivos de comportamento, incluindo rotinas rígidas, hiperfoco e transtorno do processamento sensorial (TPS).

Tem uma briga ideológica e científica imensa, que envolve várias disciplinas em torno deste transtorno, psicanálise, biologia, genética e social.

Os sintomas se dividem em dois grandes grupos: déficits na comunicação e interação social, como dificuldade em iniciar e manter conversas, problemas no contato visual e na linguagem não verbal, além de dificuldades em manter relacionamentos; e padrões restritos e repetitivos de comportamento, incluindo rotinas rígidas, hiperfoco e transtorno do processamento sensorial (TPS).

Vou ater-me aos aspectos mais notórios. Li um estudo sobre TEA em mulheres, triste foi descobrir como elas lidam, disfarçando, imagine o preço energético disso. É chamado de Masking ou Camuflagem Social, que é o esforço consciente para disfarçar os traços autistas, imitando expressões faciais, gestos e conversas para se adequar, o que pode causar exaustão e depressão.

Todos os Autistas, quer homens ou mulheres, possuem alguns traços em comum, interpretam o mundo de modo único.

Acham que tudo tem uma lógica, para eles 2 e 2 sempre são 4, não levam em conta o TODO, a maldade, perversão, más intenções, imprevistos, interesses egoístas, ignoram algumas evidencias e sinais, manipulações, “falcatruas”… e as escolhas são afetadas. Isso no âmbito de amizades, confidencialidade, sociedade, conjugal, financeiro… por vezes vítimas eternas.

A revista Jama Pediatrics diz que mais de 3,5 milhões de norte-americanos têm autismo. No Reino Unido, 604.000 estão dentro desse espectro. No Brasil, são aproximadamente 2 milhões de autistas, com 407 mil só em São Paulo.

Importante é saber um pouco mais do que é realmente o Autismo, uma Teoria Afetiva (Hobson,1993), que sugere que o autismo se origina de uma disfunção primária do sistema afetivo, ou seja, o autismo se dá quando a pessoa nasce com uma inaptidão para se envolver emocionalmente com outras pessoas, o que resulta na falha do reconhecimento dos estados mentais e no prejuízo da capacidade de abstrair e simbolizar, o que impediria a criança de viver a experiência social intersubjetiva.

Um estudioso Baron-Cohen (1995) criou um conceito chamado de “Cegueira Mental”, isso após vasto estudos e resultados de trabalhos sugerindo a existência de problemas no processamento ToM(A capacidade de mentalização), em indivíduos portadores de autismo estimularam a investigação a respeito da existência de cegueira mental em outros transtornos psiquiátricos como a esquizofrenia e o transtorno bipolar. Ele foi mais além e viu que existem muitos dados a respeito de déficits de mentalização em indivíduos vulneráveis à esquizofrenia, como os portadores de transtorno esquizotípico de personalidade e os parentes em primeiro grau de esquizofrênicos.

O que significa isso? Vou tentar ser clara, a dificuldade é em trabalhar e empreender em grupos, criar proles =família, escolher parceiros, reconhecer outros indivíduos(traços e intenções), reconhecer emoções básicas (como medo e raiva) em outros indivíduos, distinguir status social e fazer alianças.

Estou falando de os circuitos cerebrais detectores de movimentos autopropulsionados ou biológicos processam a leitura de comportamentos a partir de estados mentais volitivos (desejo e objetivo), a atenção compartilhada o faz através de estados mentais perceptuais e o módulo ToMM, por meio da criação de representações de estados mentais epistêmicos (fingir, pensar, saber, imaginar, acreditar, etc.).

As decisões são feitas através da autoreferencia e de um mundo interno imenso, que não ve o TODO e nem as entrelinhas, imprevisibildidades, subjetividades, incoerências, inconsistências e tudo que envolve no desafio atual da vida e nas relações como os outros.

Inocência, Teimosia e Inteligência são inúteis quando não tem um funcionamento correto e equilibrado do lado direito do cérebro, e autista tem esse desequilíbrio.

Os Autistas frequentemente enfrentam desafios na tomada de decisões devido a disfunção executivas, rigidez cognitiva, sobrecarga sensorial e a Ansiedade. Tudo isso dificulta o planejamento, a avaliação de alternativas e a adaptação a mudanças. Isso pode levar a paralisia decisória ou a impulsividade, exigindo suporte para estruturar opções e reduzir os estímulos.

São cegos por alguns alvos e esquecem o que envolve o percurso e como estão aqueles que estão como ele nessa jornada. Estamos falando de sistemas neurais desequilibrados, mas é interpretado como brilhantismo atualmente, uma vez que estamos em momento de inversão de valores: a Cegueira Mental é vista como ambição, garra, foco e ingrediente para o sucesso e enriquecimento. Um coisa é querer outra é poder.

Já pensou em pegar um voo com um piloto como problemas visuais e perceptivos? E um casamento ou trabalhar em uma empresa dirigida por alguém assim?

Foto por u0412u0435u043du0438u0430u043cu0438u043d u041au0443u0440u043eu0447u043au0438u043d em Pexels.com

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Oi! Sou Sônia Augusta, psicóloga pela UniFMU, Pós-Graduada em Arteterapia, Gerontologia e Saúde do Idoso e Acupuntura. Me aperfeiçoei em temas como AT-Atendimento Terapêutico, Saúde Mental em Hospital Geral (Unifesp), Coaching de Emagrecimento, Psicossomática, Biofísica aplicada à Saúde. Sou pesquisadora nas áreas de Medicina Integrativa, Psicanálise, Longevidade, Nutrologia e Medicina Tradicional Chinesa.

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