Recentemente escutei uma palestra no Instituto de Psiquiatria do HC-FMUSP sobre Saúde Mental que disse que 1/3 dos problemas de Saúde Mental são provenientes do Trabalho e ¼ da família e casamento.
Vou ater ao Trabalho, foco de meu estudo atual. O Brasil tem mais de 546 mil afastamentos por saúde mental em 2025 e bate recorde pela segunda vez em 10 anos.
Estamos em uma crise de Saúde Mental, visto que dois lugares básico que outrora eram fontes de prazer, crescimento e estadia estão se colapsando.
Na era primitiva o homem trabalhava, em média, 20 horas por semana e tinha como rotina a caça, a pesca e o medo de predadores, estando dessa forma, submetido ao estresse, entretanto, mais brando quando comparado ao dos dias atuais. Na Idade Media o trabalho ainda não era tão intenso, sendo predominantemente o braçal e finalizando com o pôr do sol. Com a Revolução Industrial, houve um aumento da carga horária de trabalho, a abolição de muitos feriados e elevada migração de pessoas para os centros urbanos, o que ocasionou uma vida mais sedentária e desgastante (ARALDI-FAVASSA & ARMILIATO et al, 2005).
Com acúmulo de trabalho e redução do tempo, o cotidiano fica corrido e a preocupação com a saúde física, alimentar e sentimental não são prioridades como deveriam ser, deixando, cotidianamente, o nosso organismo em estado de estresse (ARALDI-FAVASSA, ET AL, 2005). O estresse vem se denominando como o mal do século na mesma proporção em que o a globalização torna o mundo cada vez mais modernizado. A intensificação laboral, a as dificuldades que o individuo encontra para se moldar a esse mundo rápido e fugas, além de cada vez mais mecânico, informatizado, robotizado, mecatrônico, com sistemas e linguagens mais complexas, são os principais contribuintes para o crescimento exponencial dos casos de estresse contabilizados ela OMS-Organização Mundial da Saúde.
Não é apenas o tempo: transporte e trabalho hoje o trabalho é MENTAL e Intelectual. Um trabalhador braçal pode ficar ausente de sua casa 13 horas do dia, mas existe aqueles que ficam 24 horas se preocupados com seu negócio, elaborando passos, decisões e a preservação de sua imagem. Lembrei do que o Rei Salmão disse: “Doce os o sono de quem serve…” Eclesiastes 5:12. Preocupação gera excesso é ESTRESSE. A possibilidade de um Profissional Autônomo ou Empresário ser mais “pilhado” e ansioso que um jardineiro, pedreiro, lixeiro, gari ou pintor de parede é grande. Os mais “inteligentes’ entregam a mente, corpo, atenção, TEMPO e o coração. A questão não é dinheiro, a segunda parte do texto acima: “quer coma pouco quer coma muito; mas a fartura do rico não o deixa dormir.”
Outra coisa que na minha conclusão assisto os problemas adaptativos de pessoas com Transtornos Mentais, como disse Bion todos temos um pouco de Neurose e um pouco de Psicose, quem tem mais Psicoses sofrem mais.
Pessoas com psicoses enfrentam problemas no trabalho devido a sintomas que afetam diretamente a capacidade cognitiva e comportamental, como delírios, alucinações e paranoia, gerando dificuldades de concentração, interação social e execução de tarefas. Ambientes estressantes com alta cobrança, falta de suporte e estigma aumentam o risco de surtos e afastamentos.
Os principais desafios incluem:
Alterações Cognitivas e de Comportamento: Dificuldades de memória, atenção e foco comprometem a produtividade e a tomada de decisões.
Sintomas Ativos: Delírios de perseguição (paranoia) ou alucinações podem gerar conflitos interpessoais, isolamento ou comportamento agressivo.
Estigma e Preconceito: O medo de revelar a condição, escondem, disfarçam e driblam os atrasos na busca por ajuda e agravamento do quadro.
Ambiente de Trabalho Estressante: Pressão por resultados, prazos impossíveis e falta de reconhecimento funcionam como gatilhos para instabilidade emocional.
Quer entender um pouco sobre isso? O estresse funciona como um feedback, em que a ativação de um sistema estimula a ativação de outro. O sistema simpático é ativado pela liberação de catecolaminas (noroepinefrina, epinefrina),essas serão responsáveis pela ativação do eixo HPA, que vai liberar glicocorticoides e outros hormônios. Inicialmente, quando estamos em estado de estresse pode-se perceber o aumento de células Natural Killer (NK) e após esse aumento temos a redução de linfócitos por conta da alta concentração do cortisol
Essa liberação de hormônios é responsável por sensibilizar o sistema imunológico: gripes, resfriados, rinite…
Os danos são tanto psicológicos como fisiológicos.
PELE: Os resultados mostram que o estresse crônico induz uma liberação contínua de hormônios como o cortisol e a adrenalina, que afetam negativamente a função imunológica e a resposta inflamatória da pele. Este desequilíbrio hormonal resulta em uma inflamação persistente, que pode exacerbar condições dermatológicas existentes, como psoríase e dermatite atópica, além de contribuir para o desenvolvimento de novas patologias cutâneas, como acne e alopecia. O estresse crônico também está associado ao envelhecimento precoce da pele, evidenciado por danos estruturais ao colágeno e às fibras elásticas, e pela redução da capacidade antioxidante da pele. Esse impacto é visível não apenas em termos de aparência, mas também em termos de funcionalidade cutânea, como a cicatrização retardada de ferida.
MENTE: Neuroinflamação com essas alterações contribuem para o desenvolvimento de condições como Depressão, Ansiedade, Síndrome de Burnout e lesões por esforço repetitivo (LER).
Muitos são os danos associados ao estresse: Doenças Digestivas, Obesidade, Câncer, Impotência Sexual e Depressão. Essa última torna as pessoas mais susceptíveis a fatores como vícios e muitas outras. Essas doenças são comuns em pessoas imunocompetentes, porém, se tornam oportunistas, pois estão associadas à deficiência do sistema imune.
E ainda, outros danos comuns associados ao estresse seriam: Insônia, Transtornos Alimentares, Cardiovasculares, Prisão de Ventre, Herpes e muitas outras.
Precisamos rever nossos: valores, ritmo, conceitos e desacelerar. Isso antes que seja tarde!!! Eu desacelerei a 20 anos, isso não tem preço para minha saúde, bem estar e qualidade de vida.
Referencia:
BAUER, Moisés Evandro. Estresse. Estresse: como ele abala as defesas do corpo?. Ciência hoje, v. 30, n. 179, p. 20-25, 2002.
ARALDI-FAVASSA, C. T.; ARMILIATO, N.; KALIMINE, I. Aspectos Fisiológicos e Psicológicos do Estresse. Revista de Psicologia da UnC, v. 35, n. 2, p. 84-92, 2005.
FONSECA, N. C.; GONÇALVES, J. C.; ARAUJO, G. S. Influência Do Estresse Sobre O Sistema Imunológico.
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