O autismo do ponto de vista da Psicanálise

Neste último final de semana fui contemplada, assim como alguns colegas de profissão como uma Palestra sobre o Autismo (TEA), por uma Psiquiatra especialista no tema, que esquadrinhou o tema do ponto de vista neurológico e psiquiátrico.

Imagens de PETSCAN da mente de um Autista, a poda neuronal que acontece, os sintomas, prevalência…cientificamente tudo ok.

Porém por que cresce exponencialmente? Porque o cérebro para de progredir? O que desconecta o processo de desenvolvimento infantil? No meio da semana enviei para a Palestrante um artigo que é revisão bibliográfica do olhas da psicanálise sobre o autismo.

Ela como coerente continuou integra na sua perspectiva. Outra que o artigo não falou com clareza com que irei abordar.

A cerne da psicanalise esta o conceito pulsional, temos dentro de nós energia ou pulsão. A noção de “forças internas” que impelem o comportamento já aparecia em filósofos que influenciaram Freud, como Schopenhauer, Nietzsche e seu conceito filosófico de “vontade de poder”. Também Immanuel Kant, com sua reflexão sobre “forças organizadoras” inatas aos seres vivos.

Freud aproveitou essas intuições da filosofia para cunhar o termo alemão “Trieb”, traduzido como pulsão ou impulso. 

O que acontece no Autismo, pincelando Klein é que a mãe não apresenta o pai, o papel do parceiro é incluir o social, quando há a apresentação deste o Outro(Lacan) a constituição é tranquila e flui normalmente o desenvolvimento infantil.

Não gosto da teoria de década de Bruno Bettelheim(1950) sobre “mãe geladeira” ou de pais poucos responsivos. Acho que os pais das crianças autistas de hoje são bem descolados, profissionalmente ativos a falha está no afeto e principalmente da mudança de lugar da mãe, não que ela seja geladeira, contudo fálica e não dá conta da maternidade.

Estamos falando de um lugar que deixa na mãe a divisão libidinal e a falta do suporte do pai na constituição do laço externo do pai, por isso que as crises de angústia do infante acontece, já que Freud já havia descrito a angustia de aniquilação quando muda algumas cosias no ambiente, tiram coisas de referencias…saem do local de referencia…

Recentemente na clínica trabalhei com uma mãe a relação dela como o marido, filho, isso tirou a criança de uma possível alienação, já que havia demostrado traços de autismo. Hoje esse pai é ativo e ela ainda disse: “Agora ele não fica mais mãe, mãe é pai, pai..” a dinâmica mudou e a interação masculina fortaleceu o ego infantil e mostrou o mundo, já está em uma escolinha.

Os pais(gênero masculino) não estão querendo trocar as fraldas, por para dormir, contar historinhas, brincar, alimentar…participar.  A mãe que se desdobra com a profissão, lar, seu corpo, intelecto pouco hábil nas tarefas domestica não tem o  suporte do Pai, sem lei, proteção, direção e apoio do homem ela também se fragiliza.

Quem defende esse concito é Bialer (2014d), explica a desconexão entre psiquismo e corpo causada pela ausência do traço simbólico, o autista possui dificuldade de expressar-se por meio da fala, encontrando, na escrita, uma estratégia para comunicar-se e descobrir-se. Nos temos pessoas com  ausência do registro simbólico.

Para a psicanalise o autismo não é uma doença, mas sim um modo de ser, como uma forma de constituição psíquica, o traço simbólico não se instaura devido à falta do traço do gozo do Outro. Não se apresentou o lado de fora, esse vem com participação paterna.

Pais fracos ou com papeis indeterminados, geram filho fracos(do ponto de vista transacional). O que para a energia para o cérebro continuar a crescer? Falta de força no imaginário, ego enfraquecido e isolamento do mundo é o resultado.

Mães olham para o lado e responsabilize seus companheiros e os inclua mais nessa jornada, o filho não é só seu, ele precisa também se debruçar na criação e suporte desta criança. As vezes escuto: ele é imaturo, perdido, ocupado, inseguro… colhemos escolhas.

Referência:

Bialer, M. (2014a). Algumas estratégias de (auto) tratamento do autista. Estilos da Clínica:Revista sobre a infância com problemas, 19(1), 150-162

Foto por Mikhail Nilov em Pexels.com

Uma resposta para “O autismo do ponto de vista da Psicanálise”.

  1. Avatar de Rosângela Domingos
    Rosângela Domingos

    Bom dia

    O TEA está aumentando cada dia, mas existe outros fatores que levam a esse acontecimento e existem pesquisas que buscam confirmar certas teorias, como por exemplo a idade dos pais (masculino) com relação ao espermatozóides, mas ainda são pesquisas.

    Como professora tenho me deparado com casos em sala de aula, alguns leves e outros mais severos, onde a aluna tem pouca comunicação e contato com os seus pares e os professores, preferindo relacionar- se mais com a estagiária, enquanto o outro jovem é independente, falante, tem o raciocínio lógico preservado e participa nas atividades propostas oralmente, se recusa a escrever.

    É difícil optar por uma teoria acertiva nesses casos e busco entende-los e ajuda-los no processo de aprendizagem, no caso do jovem com TEA leve

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Oi! Sou Sônia Augusta, psicóloga pela UniFMU, Pós-Graduada em Arteterapia, Gerontologia e Saúde do Idoso e Acupuntura. Me aperfeiçoei em temas como AT-Atendimento Terapêutico, Saúde Mental em Hospital Geral (Unifesp), Coaching de Emagrecimento, Psicossomática, Biofísica aplicada à Saúde. Sou pesquisadora nas áreas de Medicina Integrativa, Psicanálise, Longevidade, Nutrologia e Medicina Tradicional Chinesa.

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