O trânsito travou, as chuvas de Março estão em Fevereiro, a agenda aperta, alguns já se angustiam, outros já de olho nos feriados do ano kkkk enfim voltar para a realidade não é fácil para todas as pessoas.
O retorno a situações de estresse logo é sentido pelo organismo, imediatamente reage em cascata: Cérebro, Suprarrenais, Coração, Respiração, Glândulas do Aparelho Digestório, Pele e Sentidos, este é o percurso da Ansiedade, Raiva, Medo e Tristeza.
Mas a vida é tão boa e agradável, então porque para alguns voltar é tão difícil? O trabalho é para o lado adulto(Superego), a escola para o jovem(Ego) e a brincadeira e prazeres para a criança(Id). Então viajar, balada, namoro, estudar, ficar “livre” é mais para quem está precisando desenvolver ou lidar com os aspectos mais reais da vida.
A Depressão vem nesse hiato, nas dificuldades estruturais. Virar Tatu bolinha ou como já escutei: “minha vontade nem é de ficar na cama e sim debaixo dela” !? Evidenciam desarmonias que vão desde dificuldades de enfrentamento e amadurecimento até as psicopatologias mais complexas: Transtornos Psicóticos.
O neurótico ama a realidade, psicótico foge dela e o perverso nega a realidade.
Por décadas a compreensão da Depressão concentra-se na culpa, na raiva contida, na autoestima baixa, na desesperança, na incapacidade de ver um futuro e na visão através de lentes escuras que tipificam a concepção depressiva do mundo. A abordagem social, bioquímica, cognitiva(distorções)…todas são válidas e acredito nelas, integro apenas, e acrescento a psicanalítica, já que o psiquismo é ignorado pela sociedade contemporaneidade.
Há uma fragilidade e em alguns casos desestruturação da vida psíquica, a depressão é como um recurso, uma defesa generalizada para regular a vida psíquica.
Nessa perspectiva a depressão é proveniente da consciência de ser separado da mãe ou da percepção progressiva da perda desta, ocorrida na esteira do nascimento do sujeito psíquico, do EU e o consequente reinvestimento de si, A disponibilidades da mãe(objeto) nesses primeiros momentos da vida da criança, bem como o desenvolvimento do trabalho do luto.
Aprofundando mais na psicanálise, a função materna no primeiro tempo do Édipo na neurose condiz com efetivação da célula narcísica entre a mãe e a criança, no momento em que ambos os personagens da estrutura edipiana estabelecem, entre si, uma espécie de amálgama ou um vínculo simbiótico.
A criança é o falo da mãe e a mãe simboliza a criança como falo, conforme o estatuto que a criança assume em seu desejo(desejo da mãe). Ocorre também a transmissão do Ideal do Outro e a realização da constituição do narcisismo primário(Freud) ou estádio do espelho(para Lacan). A dificuldade emocional/afetiva está com o papel materno.
A passagem para o desenvolvimento psíquico, amadurecimento, diferenciação sexual(questões de gênero). subjetividade e introspecção da Lei, simbolizações e para o ser social (trabalho, empreendimentos, autonomia, lideres…)bem sucedidos ocorrerem depois dessa face inicial. Ou seja, a passagem da Mãe para o Pai, essa apresentação e introdução é crucial para a estruturação psíquica e sucesso no mundo.
É difícil voltar, mas com apoio, moderação, realismo e humildade vamos lidar com os percalços da vida, trabalho e das relações. Enfrentemos com coragem ou com ajuda!


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