No contexto atual, sociopolítico/geopolítico e colapso de vários sistemas, tendo como a pandemia da saúde mental o trabalho, outrora onde o homem contemporâneo se garantia, hoje esse recurso o adoece, estamos em temos sombrios.
Lacan, Seminário 4 – As relações do objeto(1956-57/1995), observa que:
“Por ocasião de um momento particularmente crítico, quando nenhuma via da outra natureza está aberta para a solução do problema, a fobia constitui um apelo por socorro, o apelo a um elemento simbólico singular.” (p.57)
Somos pessoas livres, mas cada época se encarrega de produzir manifestações patológicas e condições subjetivas singulares e novas configurações de discursos, que na verdade são regidos por muita semelhança, segundo Bollas(2015) “herdamos um mundo despedaçado por zonas incoerentes e sem falta de consideração permanente por séculos anteriores “.
A História não está ensinado, foi desconstruída, a civilização ocidental tenta fazer um trabalho psíquico de elaboração e significação, mas não está sendo bem-sucedido.
O Ser Humano está traumatizado, com sua fragilidade, com as pressões, adoecimento emocional e físico, esfacelamentos das relações e ausência de segurança.
O que a Psicanalise tem a dizer? Que a noção do trauma fala justamente ao fato de o ego não ter recurso para lidar com o excesso de excitação e de exigência libidinal, com o excesso da angústia e da dada situação vivida pelo sujeito.
O ego tanto pode ser atacado internamente, pelo aumento de excitações pulsionais, como externamente. Acontecimentos particulares da história de vida pessoal ou eventos externos provocam um estado de impotência e desamparo, gerando angústia, fixações, repetições e sintomas.
Através do modelo clínico da fobia podemos explorar a lógica do traumático, do excesso libidinal, da construção psíquica do impossível de dizer, daquilo que ao invés de esquecido, recalcado, foi suprimido.
Lacan(1968-69/1995) prefere ver a Fobia não como uma entidade clínica, mas sim como uma placa giratória que pode se ligar a diferentes quadros psicopatológicos. Ela termina ocupando uma função de tela entre o sujeito e o mundo. O Objeto lógico protege contra o desaparecimento do desejo.
Se por um lado temos uma sociedade com pessoas agressivas, audaciosas, ambiciosas, velozes, superinformadas, equipadas com 5G e Mídias On Line, cuja dinâmica é impulsionada pela: riqueza, imagem, ostentação, dinheiro, prestígios, sucesso e seguidores em redes sociais, e que apresentam no corpo e na mente os seguintes sintomas: tensão mental e corporal, dores no corpo, Ansiedade, insônia, gastrites, problemas intestinais, cansaço, dores na coluna(cervical e lombar), dores de cabeça/enxaqueca, doenças autoimunes, estresse crônico e Síndrome de Burnout.
Temos do outro lado a Fobia como sendo um modo de evitar a angústia, que por sua vez, é a reação originária frente ao desamparo e a matriz de muitos afeto , inclusive o sinal da divisão do sujeito entre o gozo e o desejo.
Os excessos, são traumáticos quando o ego não consegue produzir endereçamento. Por isso da ideia de parar de trabalhar, se isolar, ir para um lugar remoto, distante que proteja e esconda das competições e da artilharia dos midiáticos, assim como da Instituições doentes.
O que um Psicanalista faz? Analisa. Esse ato não se restringe ao ser humano, família, empresa, mas ao social.
Temos atualmente o MEDO como um elemento vigilante contra a angústia, que faz os sujeitos manterem distanciados ironicamente os prudentes, são os saudáveis. Ou como defesa fóbica, pode ser uma expressão de resistência contra a ameaça de desaparição do sujeito desejante.
José Ortega y Gasset, considera que a realidade anarcocapitalista, o empreendedorismo e os trabalhadores autônomos, produção para uma realidade social psicótica ou estados grupais psicóticos em decorrência da desorientação e do funcionamento anárquico produzido pela queda dos ideais.
As aulas de empreendedorismo, para pessoas com estruturas fragilizadas, propiciam a desregulação do Self. Parecem, mas não são. Qual a uma das definições de Narcisismo? Imagem distorcida do Self.


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