Mesmo esse conceito ter sido desenvolvido por Winnicott, Freud em 1920, em “Além do principio do prazer”, nos falou de trauma e da existência de um escudo protetor para o desamparo do bebê.
Ele descreveu o organismo como uma “vesícula viva”, protegida das
excitações externas por uma camada ou escudo protetor, afirmando que o trauma ocorre quando essa camada sofre uma efração ou se funciona de forma defeituosa.
Assim, para Freud, as excitações traumáticas seriam aquelas que, pelo excesso de energia, são capazes de romper as proteções do aparelho psíquico, atravessando o escudo protetor.
O púbico leigo talvez não compreenda o que estou dizendo, vou tentar ser clara e simples. O estudo da psicologia e psicanalise reforçam a importância da responsabilidade de nossas escolhas, entre a mais relevante é o papel de Ser Mãe.
Quando o ambiente inicial do bebê não é suficientemente bom, no sentido de acolher as suas necessidades, deixando-o à mercê seja de invasões ambientais, seja do impacto traumatizante de demandas instintivas não satisfeitas, o falso self patológico forma-se para manter o self verdadeiro (do bebê) inacessível às condições traumáticas, protegendo-o das agonias.
O falso self se forma como resposta a pressões externas e expectativas parentais ou sociais, especialmente quando o cuidado recebido na infância não permite a expressão plena do verdadeiro self.
Crianças que não têm suas necessidades emocionais atendidas podem aprender a apresentar um “eu” aceitável para o ambiente, suprimindo sentimentos e desejos autênticos.
A adolescência é um momento crucial no desenvolvimento do indivíduo, marcada pelas mudanças hormonais e corporais oriundas da fase da puberdade, acompanhadas por um importante processo de desenvolvimento mental.
Neste período intenso de mudanças, o indivíduo necessita de condições favoráveis em seu ambiente para realizar a transição de maneira saudável até a vida adulta, rumo à estruturação final da personalidade.
O que acontece com muitos pais? Colocam para fora de casa o adolescente “mal formado” e o mundo não é o melhor lugar para referencias existências e longe de serem saudáveis.
O que temos é a formação de adultos comprometidos. Como um hiato entre o que são e o que mostram ao mundo. Alma e a psique ficou cindida. Representam para conseguirem seus desejos e sobreviverem socialmente.
Há um grupo de pessoas que deixaram de serem sinceras como um processo adaptativo. Diz Winnicott:
“Uma sedução bem-sucedida desse tipo pode produzir um falsoself que parece satisfatório para o observador incauto, muito embora a esquizofrenia esteja latente e venha, no final, clamar por atenção. O falso self, desenvolvido numa base de submissão, não pode atingir a independência da maturidade, exceto talvez uma pseudo-maturidade, num ambiente psicótico.” (Winnicott, 1953a[1952]/1992, p. 225;)
Hoje temos os Fronteiriços, Perversos, Narcisistas e Esquizoides que fingem e se submetem ao social de modo contrário ao Ser Interior, com pouca subjetividade desenvolvem uma relação de uso, objetal.
Gente que está sempre armada, tramando e a frente de gente inocente e sincera, amam pessoas generosas e os Histéricos.
O falso self cindido se forma por meio de uma hipertrofia intelectual, já que o intelecto (ou mente) forma-se, entre outras coisas, para controlar as variações ambientais e emitir sinais sobre o inesperado traumatizante que possa advir daí.
Estamos rodeados de pessoas que estão com predomínio de sentimentos de vazio, irrealidade e desconexão com elas mesmas, porque possuem dificuldade de espontaneidade e a autenticidade. Para serem aceitos buscam constantemente a aprovação externa, negação de necessidades próprias e supressão de emoções genuínas.
A psicanálise dá suporte para esse tipo de pessoa, assim para que é “vitima” deles.
Referencia:
Winnicott, D. W. (1952). Psicoses e cuidados maternos. In D. W. Winnicott, Da pediatria à psicanálise: obras escolhidas (pp. 305-315). Rio de Janeiro: Imago, 2000.
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