Hoje há a ausência de contornos. O tema Limites pode ser associado a alteridade, mas é constituinte do Ser Humano em termo subjetivos e possui grande interesse no campo da psicanálise. Temos o discurso do gozo, do capitalismo e do analista.
A clinica é um desafio, já que a escuta sempre precisa definir para a condução fatores como a estrutura do paciente.
O modelo original, Freudiano é para paciente Edípicos(2 a 5 anos), relação triangular, Neuróticos que visam trazer para a consciência algo inconsciente, visam na clinica para a autoconsciência. A relação com o psicoterapeuta revivencia como base projetiva das experiências primarias.
Esse paciente psiconeurótico, são pessoas mais inteiras e olham as coisas(mundo e pessoas) mais integradas e totais, sem ideais e nem extremos, amor e ódio. Esse paciente funciona a partir da consciência, tem desejo da autoconsciência é um desejo do psiconeurótico. A psicoterapia ajuda a ter uma tolerância maior ao que é desconhecido entre outros benefícios, menos ansiedade.
Quando falamos de pacientes Psicóticos a clínica não funciona neste caminho(antes dos 2 anos as dificuldade e surgimento de conflitos e insuficiência na formação), objetos parciais( 2 pessoas- quem está preso na relação materna), não tem sentido a condução comum. Alguma coisa se perde, Winnicott em seu livro “A natureza Humana” fala na íntegra:
“As pessoas psicóticas e as pessoas normais tipo psicóticos ao contrário(das Neuróticas=normais) pouco se interessam em ganhar mais autoconsciência preferindo viver os sentimentos e as experiências místicas e até mesmo suspeitado e evitando o conhecimento intelectual” pg 91
Temos esse divisor de águas, alguns querem e buscam a realidade, outros fogem dela e pior há teorias pouco fundadas que engolem psicóticos e limítrofes em um mundo soturno, isolado e sombrio.
Defendo muitos autores que são consistentes e neste texto ressalto o psiquiatra e psicanalista Winnicott, cuja contribuição para a psicanálise vem sendo reafirmada nos últimos anos. Seu interesse para o campo das psicoses, tem sido cada vez mais valorizado, à medida que essa patologia é caracterizada essencialmente pelo transtorno do pensamento, e a preocupação com o desenvolvimento da capacidade de pensar por conta própria é um traço distintivo da psicanálise winnicottiana.
Winnicott (1951/1978) soube reconhecer o papel necessário e estruturante da ilusão. O espaço transicional produz um tipo particular de objetos, que são modelados pelos desejos. Esse espaço obedece a um pensamento paradoxal, cuja característica essencial é escapar da dicotomia instaurada pela atribuição do juízo de existência, que opõe o ser e o não-ser sob a primazia do princípio de realidade.
Winnicott (1963c/1983) considera que, para compreendermos as desordens do tipo psicóticas, é necessário examinarmos os processos de maturação nos estágios iniciais do desenvolvimento emocional, uma época em que muito desse desenvolvimento está se iniciando e nenhum processo se completando. Nesse momento, as tendências básicas correspondem à maturação e à dependência.
A psicanálise winnicottiana implica uma teoria do amadurecimento humano, no presente um ambiente facilitador dá suporte para aqueles que possuem dificuldades com o Real.
Não podemos romantizar o sofrimento de pessoas que estão sofrendo demasiadamente a margem do social ou se escondendo da vida e das relações com excessos: isolamento, medicação, drogas ou fantasias místicas e alucinógenas.
Teve falha da provisão básica inicial que perturbaram os processos de maturação, e isso barrou o crescimento emocional da criança. Nesse sentido é isso que constitui a etiologia das psicoses, além disso não é verídico e nem ciência.
É uma falha do processo de maturação e integração. “Psicose é uma doença de deficiência do ambiente”, “ …na psicose há defesas muito primitivas que são trazidos à aação e organizadas, por causa de anormalidades ambientais” (Winnicott, 1963b/1983, p. 231).
Considero com muito respeito as crises, já que encaro como sendo fértil.
A tendência à regressão, deve ser vista como a expressão de parte da capacidade do paciente de se curar, à medida que funciona como uma comunicação da parte sadia do indivíduo, que proporciona ao analista a indicação de como deve se conduzir no processo (conduzir-se no sentido de criar um ambiente propício à criação de novos significados, mais do que interpretar, isto é, decodificar sentidos que já estariam presentes ali).
Creio que é nesse sentido que Winnicott (1959 [1964] /1983), ressalta que “a regressão representa a esperança do indivíduo psicótico de que certos aspectos do ambiente que falharam originalmente possam ser revividos, com o ambiente dessa vez tendo êxito ao invés de falhar na sua função de favorecer a tendência herdada do indivíduo de se desenvolver e amadurecer.” (p. 117).
O pensamento winnicottiano traz um alento para aqueles que trabalham com situações limítrofes, com os chamados casos borderlines, os transtornos de caráter e as psicoses em suas diferentes configurações.
Referencias:
Winnicott, D. W. (1978). Objetos transicionais e fenômenos transicionais. Em D. W. Winnicott (Org.), Textos selecionados: Da pediatria à psicanálise (2ª ed.pp. 389-408). Rio de Janeiro: Francisco Alves(Original publicado em 1951).
Winnicott, D. W. (1983). Classificação: Existe uma contribuição psicanalítica à classificação psiquiátrica? Em D. W. Winnicott (Org.), O ambiente e os processos de maturação: Estudos sobre a teoria do desenvolvimento emocional (pp. 114-127). Porto Alegre: Artes Médicas (Original publicado em 1959 e 1964)
Winnicott, D. W. (1983). Distúrbios psiquiátricos e processos de maturação infantil. Em D. W. Winni-cott (Org.), O ambiente e os processos de maturação: Estudos sobre a teoria do desenvolvimento emocional (pp. 207-217). Porto Alegre: Artes Médicas (Original publicado em 1963b).
Winnicott, D. W. (1983). Dependência no cuidado do lactente, no cuidado da criança e na situação psicanalítica. Em D. W. Winnicott (Org.), O ambiente e os processos de maturação: Estudos sobre a teoria do desenvolvimento emocional (pp. 225-233). Porto Alegre: Artes Médicas (Original publicado em 1963c).

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